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9° Encontro de Jongueiros Acontece no Rio de Janeiro

Publicado em 17.12.2004 por Pauta Social

Nos dias 17 e 18 de dezembro, o Rio de Janeiro sediará um verdadeiro passeio histórico pelas raízes da cultura nacional. Realizado na cidade após um intervalo de oito anos, o 9º Encontro de Jongueiros reunirá:

No dia 17, no Circo Voador, às 21h, haverá a abertura do evento com o lançamento do CD/livro do Jongo do Quilombo São José. No palco, estarão os 50 integrantes do Jongo do Quilombo São José, Luciane Menezes, Marcos André e Pau da Braúna e o sambista Xangô da Mangueira e mais algumas canjas especiais.

No dia 18, na Fundição Progresso, às 20h, se realiza o encontro de dez grupos de jongo do sudeste do Brasil. Um encontro musical com 500 jongueiros apresentando um verdadeiro festival de jongo.

Os grupos da Serrinha, Quilombo São José, Barra do Pirai, Pinheiral. Angra dos Reis, Santo Antonio de Pádua, Campelo, Miracema, Guaratinguetá e Piquete (SP) prometem sete horas de jongo, mostrando a dança e o canto desse ritmo, também conhecido como caxambu, e apresentando a rica diversidade desse patrimônio imaterial considerado um dos pais do samba.

Além dessas atrações, completa o evento o 1º Seminário Nacional Sobre o Patrimônio Imaterial do Jongo no auditório do Sesc Flamengo, nos dias 17 e 18, com o objetivo de discutir a mudança da qualidade de vida dessas comunidades, desapropriação de terras quilombolas e formas de cultivar ainda mais essa rica cultura.

Esse ano o evento itinerante - que acontece há oito anos nas cidades de origem dos grupos (interior do Rio de Janeiro e de São Paulo) - escolheu o tradicional bairro da Lapa para sediar o evento, que em 2004 conta com o patrocínio da Petrobrás, co-realização da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e parceira do Serviço Social do Comércio (Sesc-RJ).

A realização é da Associação Brasil Mestiço que desenvolve projetos nas comunidades de jongo, dentre elas o Jongo do Quilombo São José (Valença) e o Jongo da Serrinha.

O jongo

O jongo, também conhecido como caxambu, é uma dança de roda e de umbigada e um ritmo cujas matrizes vieram da região africana do Congo-Angola para o Brasil-Colônia. Foi trazido pelos negros de origem banto, que vieram como escravos para o trabalho forçado nas fazendas de café do Vale do Rio Paraíba e interior dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, como uma das poucas possibilidades de diversão e manifestação religiosa dos escravos, reunindo canto e dança em uma grande festividade.

Precursor do samba, foi uma das mais importantes contribuições dos negros para o que viríamos a chamar de cultura nacional, especialmente na formação da música popular brasileira.

Patrimônio cultural do país, o jongo é encontrado em comunidades situadas no interior da região sudeste, predominantemente no Estado do Rio de Janeiro, onde diversas comunidades preservam as antigas tradições herdadas dos africanos, indígenas e europeus que aqui viveram e fizeram do Brasil um caldeirão cultural admirado internacionalmente.

CD - livro Jongo do Quilombo São José

O CD-livro Jongo do Quilombo São José foi gravado em outubro de 2004, dentro do Quilombo São José em Valença, interior do Estado do Rio de Janeiro, registrando a música, história e cultura do jongo local.

O CD é acompanhado por um livro com 30 páginas de fotos do fotógrafo Bruno Veiga e 30 outras de textos do músico, pesquisador e também produtor Marcos André, de Toninho Canecão - morador e líder do quilombo - e da historiadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Hebe Mattos, que montou a árvore genealógica da família de 200 negros, descobrindo sete gerações do grupo até o ano de 1850, chegando no ancestral africano trazido de Angola durante a escravidão.

Dentre as dez comunidades de jongo do Brasil, o Jongo do Quilom

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