Inicia nesta quinta-feira (6), em Florianópolis, o 2º Seminário Educação, Relações Raciais e Multiculturalismo, evento realizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Até sábado (8), estudantes, professores, pesquisadores, gestores educacionais e militantes de organizações do movimento negro reúnem-se no Centro de Educação Física, Fisioterapia e Desportos (Cefid) da Udesc com o objetivo de qualificar-se em temáticas como a diversidade étnico-racial e a promoção da igualdade em Santa Catarina.
A temática central do seminário será a implementação de ações afirmativas para populações afro-descendentes e indígenas, um dos principais desafios para educadores de todo o Brasil especialmente após a criação da lei 10.639/2003, que institui o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nos currículos no ensino fundamental e médio.
Especialistas de diversas instituições brasileiras estarão em Florianópolis para contribuir com a temática, como o professor doutor José Ribamar Bessa Freire, doutor em História pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, que ministrará a conferência Educação Indígena (sexta-feira, às 19h) e Renato Emerson dos Santos, coordenador do Programa de Políticas da Cor do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), responsável pelo mini-curso sobre Diversidade, Espaço e Relações Étnico-Raciais: O negro no ensino de geografia do Brasil e participante da mesa-redonda sobre políticas de ações afirmativas para afro-descendentes na universidade (sexta-feira, às 14h).
Cotas
Entre os destaques do evento estão também os profissionais especializados em relações raciais e multiculturalismo de Santa Catarina que, nas últimas décadas, e, especialmente, dos anos 1990 para cá, militam no movimento negro e desenvolvem pesquisas e trabalhos que ganharam repercussão em nível nacional. Um dos principais impactos na sociedade foi a introdução do termo ações afirmativas para afro-descendentes e indígenas na educação, especialmente no ensino superior, fundamentais para o acesso igualitário de brancos, negros e indígenas. Na prática, foi formada neste ano uma comissão para avaliar a implantação do sistema de cotas no vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Com o ingresso de mais alunos negros e indígenas e, posteriormente, de docentes nas universidades, o perfil das instituições conseqüentemente mudará, vislumbra o professor doutor em História Paulino Cardoso, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Udesc, promotor do 2º Seminário Educação, Relações Raciais e Multiculturalismo. Há uma resistência muito grande por parte da elite intelectual branca em dividir os bancos universitários com pesquisadores e professores negros. Os negros passariam de objetos e de cobaias para sujeitos de suas próprias teses. Isso assusta porque derrubará muitos mitos, especialmente aquele da falsa democracia racial, explica Paulino Cardoso.
Serviço
O QUÊ: 2º Seminário Educação, Relações Raciais e Multiculturalismo
QUANDO: De quinta a sábado (6 a 8 de julho)
ONDE: Centro de Educação Física e Desportos (Cefid) da Udesc, rua Pascoal Simone, 358, Coqueiros, Fpolis
Informações: Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Udesc, rua Deodoro, 265 Ed. Manoel Maia, sala 41, Centro, Fpolis
Fones: (48) 3212-5305 e 3212-5306
Sites: www.cce.udesc.br/seminario2 e www.udesc.br/multiculturalismo
Realização: Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Udesc
Apoio: Uniafro Programa de Ações Afirmativas para a População Negra nas Instituições Públicas de Educação Superior do Ministério da Educação, Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia e Universidade do Estado de Santa Catarina Centro de Ciências da Educação (CCE/Faed) e Centro de Educação Física, Fisioterapia e Desportos (Cefid).
Programação
Quinta-feira, dia 6/7
9 às 12h: Credenciamento
13h30: Ab