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Africanos pretendem realizar maior evento do continente "após independências"

Publicado em 26.01.2005 por Agência Brasil

Rodrigo Savazoni

Enviado Especial


Porto Alegre O processo de internacionalização do Fórum Social Mundial será aprofundando em 2007 com a transferência do encontro para a África. A decisão tomada nesta terça-feira (25), em reunião do Conselho Internacional, ratifica a proposta apresentada pela delegação africana em 2004. Desde 2002, ano em que ocorreu a segunda edição do Fórum, os africanos esperam realizá-lo em terras do continente. Antes, no entanto, ele foi à Ásia, voltou ao Brasil, para somente então aportar na região em que os reflexos negativos da globalização são mais visíveis.

"Teremos que fazer do Fórum Social Mundial um dos maiores eventos da nossa história após as independências", afirma o tunisiano Taoufik B. Abadalah, secretário do Fórum Social Africano. "Queremos, através do Fórum, enfrentar todas as forças que estão intervindo no continente. Ele é a grande base para as instituições financeiras promoverem suas políticas. Podemos dizer que o continente foi recolonizado nos últimos 20 anos. E nós queremos mudar essa situação". A África é composta por trinta e três países e dividida em cinco sub-regiões.

"Essa mudança é muito importante para a África e para o Fórum Social Mundial. Nós temos nessa linha da expansão nosso grande desafio", defende Sérgio Haddad, da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong). "Agora temos que ajudá-los a constituir o Fórum. Eles são os protagonistas e nós somos o apoio". Em 2006, antes de ir para a África, o FSM terá outro formato. Em pelo menos três diferentes continentes, ocorrerão fóruns simultâneos e interligados. Para 2007, o formato está indefinido.

Victor Nzuzi, do GRAPR, organização camponesa do Congo, e delegado no Conselho Internacional pelo Jubileu Sul, informa que até agora apenas o Kênia candidatou-se a sede do Fórum Social Mundial. "Mas isso ainda está em aberto. Há outros países do continente que gostariam de receber o Fórum Social Mundial", afirma. De qualquer forma, será a primeira vez que o FSM será realizado por entidades organizadas em nível continental. Nos outros anos, os comitês Brasileiro e Indiano puseram o evento em pé, ainda que tenham contado diretamente com auxílio internacional.

"Fazer o Fórum Social Mundial na África será um desafio para nós. Como foi para todos. Para os indianos, para os brasileiros. Todos estão aprendendo e nós teremos agora a nossa chance", pondera Taoufik.

(Rodrigo Savazoni)

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