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Agroecologia e Estação Digital Fortalecem Comunidade Kalunga

Publicado em 14.08.2008 por Pauta Social

A origem dos Kalunga remonta ao século XVIII, durante a exploração das minas dos Goyases - como era chamada a região de Goiás. Na língua banto, kalunga significa lugar sagrado, de proteção. Foi em busca do lugar secreto que os negros, fugidos dos maus-tratos e da escravidão, formaram o quilombo nas serras do sertão goiano. Hoje, o povo de origem africana, costumes indígenas e tradições católicas luta para fortalecer a cultura, gerar renda e vencer o isolamento.

Os projetos Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), Estação Digital e Observatório para o Turismo Sustentável, desenvolvidos pela Fundação Banco do Brasil na região, são exemplos de como isso é possível. Entre os dias 15 a 18 de agosto, o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, e parceiros vão visitar os programas que estão transformando a realidade de centenas de famílias Kalunga que vivem nos vãos das serras próximas às cidades de Teresina de Goiás e Cavalcante, na zona rural do nordeste de Goiás, a cerca de 330km de Brasília (DF) e 530km de Goiânia (GO).

O Pais, por exemplo, é uma tecnologia social que integra técnicas simples de produção agrícola baseadas em modelos utilizados por pequenos produtores. As famílias aprendem a plantar, criar animais e utilizar recursos hídricos de forma agroecológica, integrada e sustentável. Num mesmo local, reúne a criação de aves, a compostagem, a produção orgânica de hortaliças e um sistema agroflorestal, além de um sistema de irrigação localizada, que funciona por gravidade.

Desde 2005, 30 famílias quilombolas participam do projeto. O Pais diversificou a produção e enriqueceu a alimentação das famílias. Com solo pobre, viviam basicamente da agropecuária extensiva e não tinham o hábito de comer hortaliças, conta a engenheira agrônoma do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Goiás e coordenadora do projeto no estado, Luiza Catarina Lobo de Godoi. A tecnologia foi bem aceita pela comunidade, porque, além de ser fácil de manejar, apresenta rápidos resultados, diz.

Fortalecendo a cultura empreendedora e de cooperação, o Pais tornou-se também uma oportunidade de ocupação e de geração de renda, até mesmo no período da seca, quando os Kalunga ficavam ociosos.

Era um desafio para a comunidade produzir e comercializar os produtos, mas algumas famílias já estão vendendo o excedente para os hotéis, em Teresina de Goiás. E ainda criaram uma feira de produtores do Pais, o que se tornou um atrativo turístico na cidade, diz, animado, o gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae/GO, Wanderson Portugal Lemos.

Outra ação da Fundação Banco do Brasil na região é o projeto Observatório para o Turismo Sustentável, desenvolvido em parceria com o Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB) e a Prefeitura de Cavalcante.

Trata-se de uma ferramenta de gestão participativa no planejamento, monitoramento e desenvolvimento do turismo local, com foco na sustentabilidade da cidade, que tem 9.150 habitantes.

O projeto visa realizar diagnósticos e identificar as principais vocações da comunidade no desenvolvimento da atividade turística. Para tanto, foi formado um comitê gestor, composto pelos Kalunga, empresários do turismo, integrantes do poder político local, além de turistas que freqüentam a região, para discutir, propor, regulamentar e acompanhar a evolução do turismo na região. A sede do projeto fica no Centro de Atendimento ao Turista, em Cavalcante.

O município situa-se como pólo de desenvolvimento de ecoturismo, possuindo natureza praticamente intocada, com a qual os quilombolas aprenderam a conviver, repleta de locais de rara beleza e diversidade - rios, cachoeiras, águas termais, mirantes, paredões de pedra para a prática de esportes radicais - além de uma entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Para o coordenador técnico do Observatório, Luis Henrique de Souza, o diferencial da região é justamente o turismo cultural. Os hábitos, festas e danças Kalunga, como a sussa, podem ser desenvolvidos como um atrativo turístico para atrair segmentos mais especializados e interessados nesse tipo de atividade, acredita. Dentre as festas que expressam a cultura Kalunga estão a Folia de Santo Antônio e as romarias do Vão de Almas e do Vão de Moleque.

Estação Digital Hoje, não dá para falar em redução de distâncias e isolamento sem pensar na inclusão digital das populações excluídas do país. Por isso, na sede da Associação Kalunga de Cavalcante funciona uma Estação Digital, parte do programa de inclusão digital da Fundação Banco do Brasil para promover a melhoria das condições econômicas, sociais, culturais e políticas da comunidade Kalunga. A proposta é democratizar o acesso às tecnologias de informação e comunicação.

Outros objetivos da Estação Digital são estimular o empreendedorismo, o trabalho social comunitário e propiciar formação e qualificação para os trabalhadores quilombolas. Desde 2006, a unidade possibilita que estudantes, pequenos comerciantes, agricultores familiares, professores e donas de casa tenham acesso à informática e à internet de alta velocidade.

Com o advento da visitação turística no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, a Estação Digital tornou-se uma possibilidade de a população se informar sobre o setor, de se comunicar para vender serviços e produtos turísticos e de se capacitar para gerir seus negócios.

Cada vez mais, visitantes e população local podem conhecer, na prática, outro significado da palavra Kalunga, na língua banto: Tudo de bom. Também participam da visita, representantes dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e de Minas e Energia, do Sebrae, da Imprensa Nacional, do Banco do Brasil e das prefeituras de Teresina de Goiás e de Cavalcante.

O quilombo Kalunga, o maior do país, é formada por cerca de 5 mil pessoas e integra as cidades de Nova Roma, Monte Alegre, Teresina de Goiás e Cavalcante.

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