Com objetivo de resgatar a dignidade e promover a capacitação profissional de comunidades carentes que vivem no entorno dos empreendimentos AlphaVille, a Fundação foi criada em 2000 e, desde então, tem conseguido resultados significativos.
Em Fortaleza, por exemplo, famílias que antes viviam da ação predatória de mariscos e ostras, às margens do Rio Pacoti, hoje encontram novas formas de geração de renda. O desafio era oferecer uma alternativa à população local que vivia da coleta indiscriminada e ameaçava esgotar os recursos do mangue, comprometendo os períodos de reprodução e a própria sobrevivência do rio, o maior curso d´água da região metropolitana de Fortaleza.
Entre os projetos, a Fundação AlphaVille criou, em parceria com a mais conceituada instituição brasileira em ciências do mar - o Labomar, da Universidade Federal do Ceará -, o Centro de Estudos Ambientais Costeiros (Ceac). Entre os projetos que serão transferidos para o centro a partir de julho próximo estão a criação de camarões nativos, a recuperação da área de manguezais, a criação de ostras e sururus, o repovoamento do Rio Pacoti com caranguejos, a melhoria do processo de captura da lagosta e o programa de Educação Ambiental para crianças. Além disso, o centro já motivou a doação de um barco para pesquisas pela Petrobras.
Paralelamente a isso, a Fundação decidiu colocar em prática o seu projeto Comunidade Sustentável, baseado no empreendedorismo social, geração de renda e formação profissional. O primeiro curso oferecido, de confecção de bijuteria, reuniu 25 mulheres, de fevereiro a abril deste ano. As alunas aprenderam técnicas para criação de artigos vendáveis a partir dos materiais encontrados no dia-a-dia: conchas, coco, penas e sementes. Formadas, as novas artesãs já escolheram uma marca para designá-las: Mar&Art (nome ainda mais significativo quando sabemos que Maria é o nome da maior parte das alunas).
O sucesso do primeiro curso impulsionou a criação de novas turmas para formação de rendeiras, costureiras e camareiras. A oportunidade de aprender um novo ofício fez com que muitas mulheres deixassem a atividade de marisqueiras e passassem a coordenar a produção de bijuterias. Com apoio da prefeitura de Eusébio - município da região metropolitana de Fortaleza -, o grupo já possui ateliê próprio e um box no mercado municipal de Eusébio para a comercialização dos produtos.
"Era uma população que vivia predominantemente da renda obtida com a catação de ostras e mariscos nos mangues da região. Hoje, além de encontrar uma fonte de renda complementar aos períodos de reprodução, algumas mulheres fizeram da confecção de bijuterias uma nova atividade, deixando de lado a extração", conta a diretora da Fundação AlphaVille, Mônica Picavea.
Em Salvador, inclusão digital e esportes
Na capital baiana, a trajetória se repete no Bairro da Paz, uma das regiões mais pobres e estigmatizadas de Salvador. Em parceria com aquela comunidade, a Fundação AlphaVille detectou que a principal reivindicação era a existência de um espaço de convivência, aprendizado e lazer. A solução encontrada foi utilizar a área institucional do AlphaVille Salvador para a construção do Centro de Convivência e Aprendizado do Bairro da Paz, o Capaz.
A obra, com 270 metros quadrados de área construída, foi concluída em fevereiro de 2005 e oferece hoje salas de aula, salão modular, laboratórios de informática, quadra poliesportiva e vestiários. O primeiro curso profissionalizante realizado no centro, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), formou auxiliares de serviços domésticos, a pedido da própria comunidade. Estão previstos ainda cursos de Artesanato em Papel e Uso do Lixo Reciclável como Fonte de Renda, além de um balcão de orientação jurídica. Também existem quatro turmas de futsal e duas de vôlei, prop