Spensy Pimentel
Enviado especial a Cabo Verde
Ilha do Sal (Cabo Verde) - Além dos diversos acordos de cooperação assinados hoje com Cabo Verde, o Brasil espera que os contatos com o país incrementem também os negócios. "Não há por que ver contradição entre negociação e cooperação. Na verdade, a negociação é uma forma
sofisticada de cooperação", afirmou o chanceler brasileiro Celso Amorim, logo após cerimônia em que assinou acordos bilaterais com o Cabo Verde.
Amorim lembrou que "o presidente Lula tem sempre desafiado os empresários brasileiros a se tornarem multinacionais" e disse esperar investimentos no país, especialmente vindos do estado do Ceará, que fica a cerca de três horas de vôo de Cabo Verde. "Trata-se de um potencial centro de irradiação de produtos brasileiros", explicou o chanceler, lembrando o fato de Cabo Verde ser favorecido pelos países ricos devido ao acordo internacional denominado Sistema Geral de
Preferências.
Segundo o Itamaraty, Cabo Verde recebe em média US$ 80 milhões em ajuda internacional por ano cerca de 10% de seu Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Mundial e 14% de seu PIB provêm da chamada "economia de transferência", dos quase 1 milhão de caboverdianos e seus descendentes que residem em outros paises, principalmente os Estados Unidos.
Na visita de hoje, o Brasil reforçou seu apoio ao ingresso de Cabo Verde na Organização Mundial do Comércio e também garantiu que em breve uma missão empresarial brasileira visitará o arquipélago.
Empresários que participam da comitiva liderada por Amorim para "prospecção de mercados" indicam que pode haver participação de empresas brasileiras em obras públicas e no fornecimento de equipamentos médicos, "se houver propostas factíveis", segundo Ricardo
Machado, da Etesco, construtora de São Paulo.
Quanto aos investimentos brasileiros para produção em Cabo Verde, Rubens Dias de Morais, da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas (Abimaq), diz que "são viáveis, desde que haja os devidos acordos comerciais". Na opinião de Morais, "a África é um universo de oportunidades".
O empresário, que presidente a Jumil, fabricante de máquinas e implementos agrícolas, também citou a possibilidade de negócios para empresas brasileiras em paises como Angola, Namíbia e Nigéria. "São os negócios que dão a base para essas ofensivas diplomáticas. Nós financiamos tudo isso. Precisamos estar presentes nessas iniciativas", afirmou.