Shirley Prestes
Repórter da Agência Brasil
Porto Alegre - Representantes da federação estadual e do Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga e Região anunciaram a realização de um culto ecumênico hoje (6), em Sapiranga (RS), no local onde o sindicalista Jair Antonio da Costa foi morto na sexta-feira (30), em um conflito com policiais militares. O sindicalista de 31 anos foi morto por asfixia, durante um protesto de sapateiros contra a crise
As entidades, que já pediram audiência com o governador do estado, Germano Rigotto, confirmaram também uma manifestação em frente ao Palácio Piratini, amanhã (7), com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de outras associações.
Nesta semana, a Ouvidoria-Geral da Cidadania, da Secretaria de Direitos Humanos
O governador garantiu que, com o resultado do inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte do sindicalista, o estado deverá tomar medidas além da punição dos responsáveis. "No caso de haver a comprovação de tudo o que aí parece demonstrado, tomaremos todas as medidas que signifiquem reparação, se é que é possível reparar", afirmou.
Ontem (5) os deputados do Rio Grande do Sul ouviram um relato sobre a violência da Polícia Militar gaúcha. A Comissão de Cidadania
O presidente do Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga e Região, Antônio Machado, disse que no final da manifestação, Costa , que era responsável pela organização, passou a ser hostilizado pelos policiais. "Durante o desentendimento, ele foi imobilizado, teve a camisa arrancada, foi algemado e levado pela viatura policial". Segundo Machado, "o trabalhador foi executado com o pescoço destroçado pela asfixia de um cassetete, como comprova o laudo de autópsia".
O vice-presidente da Federação dos Sapateiros no estado, João Batista da Silva Xavier, destacou que em diversas manifestações os policiais militares são o escudo das empresas contra os protestos dos trabalhadores "tomado partido e se colocando na defesa dos empresários e na truculência ao movimento sindical".
Sobre a violência no Estádio Beira-Rio, o vice-presidente da torcida do Internacional "Camisa 12", Miguel Dagnino, disse que no último domingo, "a torcida foi provocada com bombas de efeito moral, granadas de luz e som, batidas e gritos, que resultaram em dezenas de feridos, quando 20 soldados avançaram sobre os torcedores".