A Estância Ecológica SESC Pantanal Centro de Eventos Onça Pintada, em Mato Grosso, local que compreende a Reserva Particular do Patrimônio Natural-RPPN, mantida pelo Sesc Nacional, foi o cenário perfeito para a realização do Seminário “Políticas Ambientais para a Sustentabilidade na Copa do Mundo”. Isso porque o local é um exemplo para o Brasil e o mundo na área de preservação e educação ambiental e na aplicação de política socialmente correta do turismo. O evento foi aberto na manhã desta sexta-feira, 12 de agosto. A realização é do Sistema Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo CNC/Sesc/Senac, em parceria com a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados e a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal.
Até domingo, dia 14, ocorrerão como parte integrante deste acontecimento, atividades vivenciais focadas em turismo ecológico e inclusão social. Durante toda manhã de trabalhos técnicos do seminário, se discutiu e se debateu, com autoridades políticas dos poderes executivo e legislativo, organizações não governamentais e empresariais, o turismo sustentável, a preservação ambiental e a utilização das unidades de conservação para a Copa do Mundo de 2014. O evento, segundo dados apresentados pelo Ministério do Esporte, trará benefícios econômicos de R$ 47 bilhões de impacto direto e vai gerar 332 mil empregos permanentes, computados de 2009 a 2014, e 381 mil temporários no ano da copa. Além disso, deve agregar, R$ 183 bilhões ao Produto Interno Bruto do Brasil, até 2019.
“O legado maior da Copa do Mundo de 2014 será o da sustentabilidade e visibilidade que o país vai ter e neste clima que se conjugam o otimismo e o reforço à auto-estima de um povo apaixonado pelo esporte no qual é destaque mundial, o Brasil proclama que esta será uma copa verde. É o momento de mostrarmos nossa capacidade de dar resposta a uma demanda planetária”. Foi o que disse na abertura do evento Pedro Nadaf, diretor da CNC, presidente do Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso- Fecomércio/MT. Ele representou na oportunidade o presidente da Confederação do Comércio, Antonio Oliveira Santos, trazendo para o importante painel a visão, a reflexão do empresariado do segmento, em relação a uma agenda maior do que a reforma e construção de estádios e aeroportos.
Engajados na Copa
Nadaf destacou que a CNC, e seus braços operacionais Sesc e Senac estão engajados no desenvolvimento do país, e no processo da Copa do Mundo, está dando uma grande contribuição, uma vez que o turismo e a sustentabilidade ambiental, social e econômica, sempre estiveram presentes nestas instituições há mais de 60 anos. As ações educacionais do Senac, por exemplo difunde-se por meio de 527 unidades presentes em todas as regiões do país, além de 74 unidades móveis, que incluem até mesmo uma balsa escola. Na Copa, o Senac já está marcando gols, detectando através de pesquisas, demandas na área de educação profissional para os segmentos de toda cadeia do turismo. Traçou também um planejamento que envolve itinerários formativos. Ou seja, a entidade está através de um Programa Nacional de Educação contribuindo de forma eficaz e articulada com os objetivos globais da Copa do Mundo de 2014.
Falando do Sesc, Nadaf destacou que a preocupação social e ambiental, da entidade, está presente em diversas partes do país, que levam saúde, educação, esporte, lazer e cultura de suas unidades fixas e móveis. Limitou-se, entretanto, a direcionar sua fala sobre apenas uma unidade, o Pantanal, destacando que a RPPN possui 108 hectares de mata preservada, que abriga vários projetos de pesquisa, inclusive com universidades. Falou também sobre o hotel, em que são hospedadas 20 mil pessoas por ano, cuja infra-estrutura é de 279 leitos, 118 apartamentos e que gera 260 empregos diretos, além de indiretos. “Em todas as vertentes o projeto cria uma consciência de preservação e conservação. Somente através da RPPN do Sesc, os empresários do nosso segmento, pagam todo crédito de carbono necessário”, frisou o presidente. Ele lembrou ainda atividades produtivas, de sustentabilidade econômica, nas unidades que compreendem o Sesc Pantanal, a exemplo da produção de mel, da criação de jacaré, sendo aproveitados a carne e a pele do animal, além do turismo, que dá oportunidade de hospedagem a baixo custo para classe comerciária, com alto nível de qualidade.
Outro ponto importante que mostra a preocupação da CNC em convergir ações de desenvolvimento empresarial para o turismo, foi a criação da Câmara Empresarial do Turismo, composta por 23 das mais importantes entidades associativas das mais importantes entidades sindicais empresariais do trade turístico.
Síntese da preparação do Brasil
Ricardo Gomyde, assessor especial do ministro do Esporte, Orlando Silva, lembrou as experiências dos países que sediaram as últimas edições da Copa do Mundo. Destacou que a África do Sul procurou melhorar sua imagem, em relação ao apartheid, regime de segregação racial; a Alemanha, no tocante a reunificação entre a ocidental e oriental e o Japão o conceito da paz entre a nação e a Coréia. Baseado nos relatos, o assessor lembrou que o país poderá vender sua imagem positiva, ter grande visibilidade. Serão 375 emissoras de televisão transmitindo o evento, fora outras mídias. Teremos 600 mil turistas internacionais no país, o que representa R$ 3,9 bilhões de recursos injetados na economia e um fluxo de turistas internos de 3 milhões de pessoas, que somam R$ 5.5 bilhões. De 2009 a 2014, haverá um aumento de consumo na ordem de R% 5 bilhões. Haverá uma arrecadação de tributos totais estimado em R$ 16,8 bilhões.
Na abertura do seminário, Gomyde fez uma síntese da preparação do Brasil para a Copa do Mundo 2014, mostrou cinco pontos do que o país quer com este mega evento: mobilizar o país; promover o país no mundo; constituir arenas multiuso de classe mundial; gerar um salto de qualidade nos serviços e modernizar a infra-estrutura do país. Sobre este último ponto ressaltou “é importante que o Brasil resolva seus gargalos “. Serão investidos nesta área, 33 bilhões, sendo R$ 10 bilhões, oriundos de serviços e R$ 23 bilhões de recursos civis. Ocorrerão 93 grandes intervenções com recursos do governo federal, com financiamentos da Caixa e BNDS.
Para que se compreenda a hierarquia da atuação do Governo Federal, na Copa do Mundo 2014, o assessor informou os objetivos do Comitê Gestor CG e do Grupo Executivo-CE. O primeiro, é definir, aprovar e supervisionar as ações do Governo Brasileiro para a sua realização. Cabe ao segundo, coordenar e consolidar as ações, estabelecer metas e monitorar os resultados de implementação e execução do das ações para este acontecimento. Além disso o governo se organizou em Câmaras Técnicas, que tem a missão de propor políticas públicas e soluções técnicas necessárias, eficientes e transparentes que garantam a formação de um legado alinhado aos interesses estratégicos do país a partir da realização exitosa da Copa. Participam da Câmara técnica dentre outros, governos estaduais, prefeituras e sociedade civil organizada, muitos com agendas próprias.
Empregos verdes
Volney Zanardi, diretor do Departamento de Gestão Estratégica do Ministério do Meio Ambiente, disse que o país vive um momento de amadurecimento, e quando fala sustentabilidade,não se deve levar em conta somente a preservação do meio ambiente. “ A copa traz oportunidades e vai exigir competência e coordenação, tanto em nível de políticas de governo como de articulação federativa. Deve explorar possibilidades, fortalecer legado”, frisou. O diretor destacou a importância da coordenação entre políticas e relação federativa, a exemplo de se trabalhar muito próximo ao Ministério do Esporte nas estratégias. Para ele o Legislativo tem importância “no aprimoramento do nosso marco legal. Temos diversos instrumentos desenvolvidos que trazem maiores possibilidades de integração”, lembrou.
Recentemente foi divulgado na Conferência Internacional do Trabalho-OIT a criação de 2.6 milhões empregos verdes, segundo Volney , que destacou que o Ministério do Meio Ambiente, organizou umgrupo trabalho, com alguns pontos principais a se trabalhar nas cidades que sediarão a Copa. “Selecionamos cinco eixos no projeto”, informou, sendo que estão contemplados, entre eles, os parques da Copa- com ênfase na melhoria das condições dos parques nacionais e definição de destinos define e interiorizar os benefícios econômicos que o país terá neste evento também para outras cidades do restante do país, que não foram contempladas.Ele também citou a copa orgânica, com vistas numa cadeia de produtos com este fim. “O Sesc e Senac serão parceiros envolvidos neste projeto”, disse. Abordou também uma abordagem na política de reísudos, falando sobre coleta seletiva do lixo, a eficiência de energia e o uso da água. “São enormes as possibilidades a serem exploradas”, finalizou.
Clubes formadores de atletas
O deputado Jonas Donizette Presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, destacou a oportunidade que terão os próprios brasileiros de conhecer o país com suas diferenças regionais durante a Copa de 2014. “Eu mesmo estou conhecendo somente hoje esta região. O mundo lá fora, não tem noção da diversidade que temos em nosso país, a industria sem chaminé, quando bem aplicada , gera dividendos e preserva a ecologia a natureza”, frisou, lembrando que a criatividade deve ser usada na transmissão de matérias durante a copa. “Se tiver a competência, colheremos bons frutos com o evento”. O parlamentar lembrou também da importância da transferência de R$ 40 milhões, para clubes formadores de atletas. “Ter atletas de ponta é importante, mas a política de formação de crianças, adolescentes e jovens é fundamental. Uma criança no esporte, é uma criança a menos no caminho das drogas”, frisou.
Barreiras do transporte
O senador Benedito de Lira, presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, também fez suas observações na abertura do seminário. Ele lembrou a importância do engajamento da iniciativa pública e privada, deixando claro que todos tem que ter responsabilidades e que isso representa avanços. O parlamentar destacou que uma das suas sua grandes preocupações nesta Copa é referente a mobilidade urbana. Está impraticável circular nos grandes centros a exemplo do Rio e São Paulo. Até Brasília já começa a incomodar”, frisou.
Já que o país será divulgado em massa durante ao mega evento do futebol, o senador Lira considera fundamental eliminar as barreiras do transporte. “Precisamos ter um meio de deslocamento eficiente”, lembrou, citando exemplo de países menores que tem grande eficiência no transporte de seus turistas. Para ele é preciso que se abram as barreiras do transporte aéreo no país, e que se tenha mais empresas nacionais operando para o exterior.
Ele lembrou também da estrada ferro, e da sua malha desativada com milhares de quilômetros de trilhos abandonados”. Ele também fez um alerta, deixando claro que não era apelo para que as confederações da industria e agricultura, adotassem o mesmo procedimento, no aspecto ecológico da CNC, no sentido de receber turistas internos e externos.
Mesa Redonda
Na segunda parte do seminário ocorreram palestras, mesa redonda e debates, sendo mediado pelo jornalista José Pedro Soares Martins, autor da publicação “Jogo Verde- Jogo Limpo”, que apresenta 100 propostas para uma agenda 21 Brasil do Esporte para a Sustentabilidade, o Turismo Sustentável, a Paz e a Diversidade Cultural. Participaram diversas autoridades e técnicos, dentre eles, Cláudio Langone, coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014 no Ministério do Esporte, e Ricardo Soavinski, diretor de Criação e Manejo do Instituto Chico Mendes ICMBIO.