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Banco de Alimentos Criou Alimentando Transformação Social

Publicado em 10.08.2009 por Pauta Social

A Ong Banco de Alimentos, pioneira no conceito de colheita urbana no Brasil, acredita que para ampliar a luta contra a fome e o desperdício de alimentos é necessário investir na educação e na consciência social. Estima-se que no País, mais de 60,5 milhões de pessoas estão na linha da pobreza cidadãos que recebem até meio salário mínimo e 21,7 milhões são considerados indigentes por receberem menos do equivalente a um quarto do salário mínimo. Ao mesmo tempo, 39 milhões de quilos de alimentos são jogados fora diariamente; alimentos que poderiam alimentar 19 milhões de pessoas por dia. Para combater esse paradoxo e buscar formas para efetivar a mudança, a organização não-governamental criou o projeto educacional Alimentando a Transformação Social, voltado para as escolas da rede privada de ensino do Estado de São Paulo.

Segundo Luciana Chinaglia Quintão, presidente e fundadora da Ong Banco de Alimentos, a consciência para um mundo melhor também começa pela escola, pelo ato de educar. Tudo começa e termina no próprio homem. O ser desenvolvido e ético gera uma sociedade desenvolvida e ética. Na prática, acreditamos que as muitas fomes só serão realmente debeladas se agirmos em suas origens, isto é, no nível de consciência dos homens. Para somarmos neste caminho, executamos o projeto Alimentando a Transformação Social, afirma Luciana, acrescentando que a escolha por desenvolver o projeto pedagógico em escolas da rede privada atende ao objetivo de diminuir o abismo social entre os dois Brasis.

Desde a criação, em 2007, o projeto beneficiou mais de 2.000 estudantes e a expectativa da organização não-governamental é que contabilize mais de 1.100 alunos em 2009. Estrutura do projeto O projeto pedagógico, Alimentando a Transformação Social é ministrado com módulos alinhados às faixas etárias e aborda temas como o Alimento do corpo e da alma; Sustentabilidade; A comida dentro do ser; A fome e desperdício; Uma sociedade doente; Ambientalismo; Sistema político; e O terceiro setor, entre outros. Os temas são trabalhados dentro de uma lógica sequencial e com conteúdo voltado à consciência socioambiental, ao respeito, ao fim do preconceito e à importância do desenvolvimento autossustentável para preservação da vida.

No módulo Oficinas Culinárias Atrapalhadas destinado a alunos do maternal e do jardim , os palhaços do projeto Transformando com Arte lançam mão de arte, talento, curiosidade, risadas e brincadeiras para despertar nas crianças o reconhecimento visual e a percepção de todas as partes do alimento (talos, sementes, folhas e cascas). A ideia é incentivar os alunos a experimentar os alimentos sem preconceito e a plantar a semente da alimentação saudável toques e cheiros para valorizá-la como produto do trabalho da natureza. Ensinar a diferença entre comer e nutrir-se. As oficinas têm duração de uma hora e são destinadas aos alunos do ensino infantil e primeiro ano do ensino fundamental, podendo estender-se aos alunos de anos letivos subsequentes ao utilizar a adaptação de linguagem.

Nos módulos destinados a alunos do segundo e terceiro anos, os temas são, respectivamente, Conceito de sustentabilidade; e Preservação da água. Já para alunos do quarto, quinto e sexto anos, o projeto educacional foca em disseminar conceitos importantes sobre os alimentos (função do alimento); como o corpo transforma o alimento (processo de digestão) e funções; importância intrínseca dos alimentos e mídia, respectivamente. O sétimo e oitavo anos trabalham com a questão do desperdício no Brasil (o caminho que o alimento percorre); as faces da fome, mostrando que a cesta básica não é suficiente para alimentar decentemente uma família. Para o nono ano e primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio, a Ong Banco de Alimentos trabalha as noções de ciclo sustentável; consciência ambiental; vidas reguladas pela política; e terceiro setor.

O projeto educacional Alimentando a Transformação Social serve ao duplo propósito de disseminar nas escolas a questão da fome e do desperdício de alimentos, e arrecadar recursos para as ações empreendidas pela organização não-governamental. A Ong Banco de Alimentos tem alimentado cerca de 22 mil pessoas por dia, além de empregar pessoas, treinar estagiários, voluntários e ministrar cursos gratuitos às instituições beneficiadas ensinando a população carente a manipular e aproveitar corretamente os alimentos. A meta é alcançar o maior número de escolas da rede privada possível, fazendo com que se tornem protagonistas na luta contra a fome e a miséria.

Segundo Luciana Chinaglia Quintão, todos os recursos do projeto Alimentando a Transformação Social serão destinados à sustentabilidade e expansão da Ong Banco de Alimentos, que poderá alimentar e educar cada vez mais pessoas. Para obter mais informações sobre o projeto Alimentando a Transformação Social, as escolas podem entrar em contato com a Divisão Educacional da Ong Banco de Alimentos pelo telefone: (11) 2198-8000, e-mail info@bancodealimentos.org.br. O endereço do site é www.bancodealimentos.org.br e blog

A organização não-governamental Banco de Alimentos coleta doações de alimentos que seriam desperdiçados e distribui para mais de 50 instituições beneficentes cadastradas, complementando a alimentação de 22 mil pessoas diariamente. Além disso, a Ong dissemina entre as comunidades carentes informações sobre como manipular, armazenar e aproveitar integralmente os alimentos evitando sobras e proporcionando refeições com alto valor nutricional. A Ong ministra oficinas culinárias, executa censos antropométricos e organiza ações educativas como cursos, seminários em empresas, aulas e palestras em escolas. Mais saúde, educação, cidadania e futuro para milhares de pessoas.

Na prática, a Ong Banco de Alimentos busca onde sobra e entrega onde falta, recolhendo as sobras de comercialização e/ou excedente de produção, próprios para o consumo, que teriam o lixo como destino. De janeiro de 1999 a dezembro de 2008, esse trabalho evitou que 3.220 milhões de quilos de alimentos fossem transformados em lixo. Esse combate ao desperdício e à fome resultou em 30.612 milhões de refeições complementadas em 6.147 milhões de atendimentos nas 51 instituições que atendem pessoas em situação de risco social.

São doadores da Ong Banco de Alimentos desde grandes até microempresas, bem como sacolões, hortifrutis, mercados municipais, fabricantes, distribuidores e, em parceria pioneira, além de agricultores. Os produtos arrecadados são transportados em veículos adequados para a função e em perfeitas condições de acondicionamento, preconizadas pela Anvisa. Com criteriosa seleção de produtos, os alimentos são destinados de acordo com a característica das pessoas atendidas: crianças, adolescentes, adultos, idosos, deficientes físicos e mentais, moradores de rua e portadores de patologias como Aids, câncer e doenças cardiovasculares pessoas não economicamente ativas, atendidas por instituições idôneas.

Doentes que estão acamados, por exemplo, recebem alimentos como aveia, condizentes com a dificuldade de digestão. A educação nutricional e profilática continua sendo prioridade da organização. Profissionais que atuam nas entidades cadastradas aprendem como manipular, armazenar, consumir e aproveitar integralmente os alimentos, através de workshops, palestras, treinamentos e oficinas culinárias. O treinamento é baseado em abordagens teóricas e práticas com noções básicas de alimentação e nutrição. Há também o acompanhamento individual destinado a instituições, para auxiliar a montagem de um cardápio equilibrado.

A Ong Banco de Alimentos propõe uma atuação mais consciente, não restrita ao assistencialismo. Suas ações são educativas em todos os níveis, inclusive com projetos para escolas. Em 2008, o Banco de Alimentos potencializou sua operação com o novo Centro Educacional em sua sede (Av. Prof. Manoel José Chaves, 300, em São Paulo) e o lançamento de um livro de receitas com dicas para transformar o desperdício em pratos saborosos e altamente nutritivos.

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