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Brasil elimina transmissão da doença de Chagas pelo barbeiro

Publicado em 09.06.2006 por Agência Brasil

Irene Lôbo

Repórter da Agência Brasil


Brasília O Brasil é o primeiro país da América Latina a acabar com a transmissão da doença de Chagas pelo barbeiro (Triatoma infestans). O reconhecimento é da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que hoje (9) entregou ao ministro da Saúde, Agenor Álvares, a Certificação Internacional de Eliminação da Transmissão da Doença de Chagas.

Para conceder o certificado, desde 2000, uma comissão internacional formada por especialistas em Saúde das Américas visitou cada estado brasileiro para verificar a predominância do barbeiro nas residências. Em 2005, das cerca de 1,9 milhão de casas visitadas, foram encontrados pouco mais de 200 insetos, mas todos sem risco de transmitir a doença. Há cerca de 20 anos, a mesma pesquisa encontrou 250 mil barbeiros na mesma amostragem de casas.

De acordo com a Opas, a Bahia foi o último estado brasileiro que apresentou transmissão da doença de Chagas pelo barbeiro. "A Organização Mundial da Saúde e o sanitarismo da América comemoram o triunfo para o Brasil, para a América e para o mundo. Esse é um aporte que o Brasil faz à América e para o mundo", diz o representante da organização no Brasil, Horácio Toro.

Outra evidência de que a transmissão pelo barbeiro está interrompida foi a conclusão de exames de sangue feitos em crianças de zero a cinco anos para detectar a doença apenas oito casos foram confirmados, dentre as 90 mil amostras colhidas.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, o desafio agora é manter a vigilância permanente. "Mesmo com a eliminação do Triatoma infestans, temos outros vetores, que são vetores silvestres e não são erradicáveis. Então sempre persistirá o risco. Mas a doença de Chagas agora no Brasil passará a ser uma doença ocasional, acidental, e de um número muito pequeno de casos", afirma.

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde investiu mais de R$ 97 milhões em melhorias habitacionais, para eliminar as condições para que os barbeiros sobrevivessem nas casas. Também foram feitos investimentos na aquisição de inseticidas, na realização de pesquisas e na distribuição de equipamentos e repasses de dinheiro para estados e municípios.

"O fato de a gente estar recebendo essa certificação não significa que o país possa permitir que o desenvolvimento de ações para continuar controlando essa enfermidade seja desativado", disse o ministro da Saúde, agenor Álvares.

Apesar de o Brasil ter eliminado a forma mais comum de transmissão da doença, Barbosa garante que a certificação não interromperá os investimentos no controle, na vigilância de surtos episódicos e no tratamento dos portadores da forma crônica do mal de Chagas.

"É preciso garantir uma atenção adequada para as pessoas que se contaminaram lá nos anos 50, 60, 70, porque vários deles desenvolvem formas crônicas e têm comprometimento cardíaco ou digestivo. Para essas pessoas é importante garantir acompanhamento o resto da vida delas. Infelizmente não há uma droga para curar a doença de Chagas crônica", concluiu Barbosa.

(Irene Lôbo)

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