Rodrigo Savazoni
Enviado especial
Porto Alegre (RS) - O impasse nas negociações que pretendem constituir a Área de Livre Comércio das Américas foi comemorado no Fórum Social Mundial (FSM). Nesta sexta-feira, cerca de 500 militantes da Campanha contra a Alca realizaram uma assembléia continental para discutir o futuro do movimento, que surgiu na edição de 2002 do Fórum. Na avaliação de João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e da Via Campesina, a campanha até agora tem sido vitoriosa.
"Conseguimos montar uma resistência em todo o continente", afirmou, sob aplausos. "Mas ainda não temos uma campanha massiva. Não conseguimos atingir grande parte dos povos", apontou Stédile. O líder camponês fez uma defesa enfática da necessidade de expandir o debate para outras esferas. "Temos tarefas organizacionais, como construir experiências comuns, trabalhar a base, fazer um esforço redobrado, ir de casa em casa, para envolver mais gente", disse.
Stédile também propôs a realização de mobilizações nacionais e a construção de calendários comuns de luta em todo o continente. Em sua fala, ele também elogiou a atitude firme "quase heróica" do governo venezuelano e fez menção às negociações conduzidas pelos governos brasileiro e argentino. "Temos que dar um passo novo para concretizar, com um programa político que contraponha o livre comércio, a integração dos povos latino-americanos", defendeu.
A plenária estabeleceu como principal ação para 2005 a participação na jornada mundial de luta contra o livre comércio, a ser realizada entre os dias 10 e 17 de abril. Lançada oficialmente para "articular forças e ações contra" a área de livre comércio "e propor a construção de novos caminhos de integração continental", a campanha intercontinental contra a Alca também discute, atualmente, outros processos de liberalização comercial em curso, como o acordo entre a União Européia e o Mercosul.
Ao término da Plenária, os militantes saíram em marcha para protestar contra a política norte-americana na América Latina. A passeata não teve grandes repercussões. Foi mais uma, entre tantas manifestações vistas em Porto Alegre nestes dias de Fórum Social Mundial. Entre os participantes, porém, um se destacava: Manoe, militante do coletivo Caifazes, de São Paulo, que integra o comitê paulista da Campanha. Ele carregava, em suas costas, um enorme boneco de George Bush.
"Reuniões como essa são importantes para a formação e para levar informação aos participantes. É também bom para sabermos quem está em quem não está na campanha", disse Manoe. A próxima reunião de organização da Campanha ocorre em Havana, Cuba, no mês de abril.