Enviar

Combustível que vem da Cozinha

Publicado em 04.08.2008 por Pauta Social

Em Montenegro/RS, distante 55km de Porto Alegre, uma iniciativa do Instituto Morro da Cutia de Agroecologia (Imca) está mobilizando os moradores da cidade. A campanha Sinal verde para o óleo de cozinha está mostrando que o óleo vegetal, depois de utilizado, não deve ser jogado na pia ou no lixo, hábito que pode contaminar águas superficiais, ecossistemas aquáticos e o solo, impermeabilizando a área afetada.

A campanha, no entanto, vai além do alerta sobre os danos ambientais e sanitários provocados pela destinação inadequada do produto. É que o óleo de cozinha usado, para o Imca, é importante matéria-prima para um biocombustível de eficiência compatível com a do diesel comum. Por isso, a população está aprendendo, também, a coletar o produto, para que ele possa ser reciclado e utilizado como fonte de energia.

A campanha é um desdobramento do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Na edição de 2007 do concurso, o projeto leo Vegetal Usado como Biocombustível foi vencedor da categoria Aproveitamento e Tratamento de Rejeitos, Resíduos e Efluentes de Processos Produtivos. Agora, com os R$ 50 mil da premiação, o Imca está investindo na mudança de comportamento dos moradores, na melhoria do sistema de coleta, em equipamentos para o tratamento do óleo usado e na revisão do veículo piloto do projeto.

Para o diretor do Imca, Paulo Roberto Lenhardt, a premiação trouxe visibilidade para o projeto e a oportunidade de novas parcerias. Mas é a palavra reconhecimento que, segundo ele, melhor explica o impacto local e a maciça adesão dos moradores: Neste aspecto, a premiação foi muito positiva, diz. Antes, o óleo era recolhido somente de restaurantes. Depois do reconhecimento, o Hospital da Unimed de Montenegro passou a servir como central de coleta do óleo usado nas residências dos funcionários da instituição.

Lenhardt estima que cada morador utilize 0,8l de óleo vegetal por mês e a meta é conseguir coletar 10t de óleo usado até abril de 2009.

Montenegro deu mesmo um sinal verde para a campanha de educação ambiental e coleta de óleo usado. Estamos intervindo em escolas, associações comunitárias, grupos de pais, em reuniões da terceira idade e até nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) daqui, comemora a educadora Andréa Caroline Hartmann.

Na rede de ensino pública e privada do município, cerca de 5 mil crianças e jovens em idade escolar estão participando da iniciativa. Nas turmas do maternal, por exemplo, Hartmann conta com o engajamento das professoras e trabalha com crianças de 3 anos de idade ou até menos:Nessas classes, procuramos mostrar como todos precisamos de água pura e como o óleo contamina a água. As crianças estimulam a mudança de hábitos dos adultos. Certa vez, uma mãe me contou que sua filha pequena disse que 'lugar de óleo usado é no trator, comenta a educadora.

A campanha também ensina como transformar garrafas PET em vasilhames adequados para a coleta e o transporte do óleo doméstico. Depois de utilizada e devidamente acondicionada, a substância segue para os postos de coleta - um em cada bairro da cidade. A motocicleta do projeto, adquirida com parte do dinheiro da premiação, coleta o material e leva tudo para o depósito que funciona em um espaço cedido pela Prefeitura de Montenegro.

Os moradores se interessam muito pelas questões ambientais, mas a maioria desconhecia o impacto negativo do óleo que é jogado nos lixões ou esgoto. Reciclar é uma coisa prática; algo que eles percebem que podem fazer, como cota individual para a preservação do ambiente, observa Hartmann.

Tecnologia social - A destinação final do óleo vegetal usado na preparação de alimentos nos lares, restaurantes e indústrias é um problema ambiental pouco discutido. Dentre as soluções conhecidas para a reutilização do óleo vegetal, nenhuma leva em conta as potencialidades de sua utilização como combustível para automóveis e utilitários. A tecnologia social leo Vegetal Usado como Bicombustível, além de preservar os recursos hídricos, pode garantir o empoderamento comunitário, ao gerar energia apropriável e reaplicável nas comunidades.

A primeira etapa é a implantação de um sistema de coleta do material. Uma vez recolhido, o óleo é levado à estação de limpeza, onde é filtrado e decantado, tornando-se apropriado para a utilização como bicombustível. Para cada 10l, é possível produzir cerca de 6l de combustível.

O óleo vegetal pode ser usado como combustível nos veículos automotores movidos a diesel adaptados para recebê-lo. Como a conversão é simples e de fácil operação, as comunidades que têm seus veículos convertidos passam a deter todas as ferramentas necessárias para incentivar processos de coleta dentro de suas próprias regiões.

O Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social concede, a cada dois anos, para cada tecnologia social vencedora, R$ 50 mil destinados a atividades de expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação do projeto. A premiação busca difundir produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidos na interação com a comunidade, que representem soluções efetivas de transformação social.

Páginas relacionadas

I Curso Dearo "Como Montar um Selo Social para sua Ong"

Publicado em 17.09.2007 por Pauta Social

I Curso Dearo - Como Montar um Selo Social para sua ONG

Publicado em 17.09.2007 por Pauta Social

Apacn Retoma Campanha de Arrecadação de Banners Usados

Publicado em 26.10.2009 por Pauta Social

Comunicação Como Instrumento de Mobilização Social

Publicado em 13.04.2006 por Pauta Social

Prêmio Universitário de Comunicação Social Latino-Americano

Publicado em 11.05.2007 por Pauta Social

Reprodução do conteúdo

Esta página foi publicada originalmente por Pauta Social em 04.08.2008 e pode ser reproduzida livremente. Para isso, cite sempre sua fonte original e, se possível, coloque um link para o agregario.com.
Quem SomosPolítica de Privacidade