Brasília - Levantamento divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário
(Cimi) durante o Acampamento Terra Livre, organizado na última semana
em Brasília, mostra que 42 índios da etnia Guarani Kaiowá foram
assassinados em 2008. No ano passado, também ocorreram 34
suicídios.
“Sem
terra, não tem muito sentido a vida”, disse Anastácio
Peralta, líder indígena de Mato Grosso do Sul. Para
Peralta, há uma “política de extermínio”
contra os indígenas que não querem “viver em favela”
ou
Na
opinião do procurador Marco Antônio Delfino de Almeida,
do Ministério Público Federal em Dourados, as mortes
violentas dos índios resultam da política de
colonização iniciada na década de 1920. “A política do Estado gerou desestruturação,
uma perda de relações familiares e outras consequências
como a falta de recursos naturais para prover a comunidade”,
disse o procurador lembrando que os índios chegaram a ser
assentados em área por onde não passava nem rio.
O
procurador Emerson Kalif Siqueira, do MPF em Campo Grande, explicou
que a política de colonização resultou no
quadro de hoje (agravado pela pressão do agronegócio).
“Se estivessem em área maior, não teria ocorrido
primeiramente a mistura de grupos distintos, ou de aldeias
distintas”, afirmou. Segundo ele, com o aumento do número de índios, ocorreram “disputas de espaço e poder”
e generalizou um quadro psicológico de “depressão”.
O
antropólogo Fábio Mura, que fez uma pesquisa e trabalho de
campo na região dos Guarani
Kaiowá durante sete anos, explicou que a cultura da etnia exige
que os grupos familiares estejam mais isolados. “Um distanciamento
espacial suficiente para reproduzir continuamente espaços
domésticos sem ter como vizinho imediato uma família
inimiga”, afirmou.