"A construção da agenda social e as políticas de financiamento" foi o tema da conferência que teve a participação do presidente da Rede Francesa de Finanças e Solidariedade (Finansol), Henri Rouillé D´Orfeuil, do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea/RJ), Divonzir Gusso, e de Ivaldo Gehlen, como mediador .
Um dos pontos levantados pelo pesquisador do Ipea é que está acontecendo um processo de mudanças nas agendas sociais de todo o mundo e que é importante ver em que contexto elas estão acontecendo. Isto implica em uma forte participação dos setores público e privado e da sociedade nesta discussão. Gusso observou que a globalização é uma proposta ideológica que visa estabelecer como conduzir o crescimento sustentável.
"Fizemos alguns avanços, mas ficamos atrasados nos processos de inovação tecnológica e dificuldades sociais, o que impediu o Brasil de crescer", diz. Para ele, em meados da década de 90 o país entrou num processo de crescimento com pouco progresso social, pois não se conseguiu reduzir a pobreza que hoje se traduz numa grave disparidade social.
De acordo com o pesquisador do Ipea/RJ, o problema no Brasil está focado em nove regiões metropolitanas que concentram a pobreza, causando um mal-estar social. As cidades se deterioram e geram enormes bolsões de pobreza em seu entorno. "As agendas sociais se constroem com muita precariedade, devido a esta situação social brasileira", afirma Gusso.
O presidente do Finansol, Henri Rouillé D´Orfeuil, iniciou sua participação falando que a agenda social nunca foi prioridade dos governos. "Ainda existe uma predominância para os negócios, para o comércio", enfatizou. Ele questinou ainda que desde o ano de 2000 têm-se tratado dos objetivos do milênio de acabar com a fome e erradicar o analfabetismo da metade da população sem recursos, mas não entende o porquê de ser apenas a metade e não da totalidade.
"O problema do tratamento da pobreza é importante, mas o mais importante é ligar a exclusão e a inclusão. Quando se tem mais exclusão do que a inclusão a pobreza aumenta. Por quê se isola o social? Porque não se entende o processo da riqueza e pobreza. As fronteiras entre o econômico e social se movem e há muitas dificuldades entre elas", conclui.
Na avaliação do presidente do Finansol, o sistema não quer mudar o motor econômico. Esta concepção do processo de globalização não resolveu a exclusão da pobreza. E as estatísticas não seraim muito úteis para analisá-la, pois não contemplam a população mais carente. Elas só mostram os resultados dos negócios.
Com relação às políticas de financiamento, Henri falou que a poupança é fundamental como forma de financiamento, bem como as associações solidárias e a tributação. Deve haver uma mistura de verbas públicas, privadas, poupadores solidários e arrecadação de impostos. Como exemplo ele disse que na França 45% do PIB retorna para população.