O programa de identificação de resíduos em 22 portos brasileiros chegou ao Nordeste. Pesquisadores do Programa de Planejamento Energético (PPE) da Coppe/UFRJ iniciaram o trabalho nesta segunda-feira (6/2), em Fortaleza. O projeto “Conformidade Gerencial de Resíduos Sólidos e Efluentes dos Portos” começou no ano passado n Rio de Janeiro e Itaguaí e é executado pela COPPE /UFRJ em parceria com a Secretaria Especial de Portos da Presidência da República (SEP-PR). Com investimentos de R$ 16 milhões, está contemplado nas ações do PAC 2 e trata de uma questão fundamental para o desenvolvimento do setor portuário brasileiro. O trabalho terá duração de um ano e ao fim deste prazo trará não apenas soluções para melhor coleta e gestão dos resíduos deixados pela operação portuária como sugestões para seu uso comercial. Parte do lixo poderá, por exemplo, ser transformada em energia, gerando economia para os portos ou mesmo receita extra.
A reunião de abertura do projeto aconteceu no auditório do Centro Vocacional Tecnológico Portuário da Companhia Docas do Ceará (CDC), e contou com a presença do Coordenador de Segurança, Meio Ambiente e Saúde do Trabalhador da CDC, Raimundo José de Oliveira, do professor Aurélio Murta, um dos coordenadores da COPPE no programa, além de portuários, e representantes da Anvisa e da secretaria de Meio Ambiente do Ceará. “Fizemos uma apresentação formal do trabalho no Porto de Fortaleza e treinaremos as equipes para a coleta de dados, explica Aurélio Murta, um dos coordenadores do programa, ressaltando que com o início do programa, todos os resíduos e efluentes gerados no porto de Fortaleza, seja por meio de navios de cruzeiro, operações portuárias ou dos escritórios, passam a ser registrados e classificados .
Nesta etapa, que se encerra no próximo dia 13, a equipe vai percorrer mais cinco portos nordestinos: Natal, Cabedelo (PB), Recife, Suape e Maceió. Até abril, todos os portos terão iniciado o programa. Neste trabalho, os pesquisadores do PPE contarão com a ajuda de profissionais locais, por meio de uma Rede de Competências, que está sendo estabelecida com Universidades Federais, Institutos de Pesquisas e consultorias especializadas.
Para o diretor da SEP, Antonio Maurício Ferreira Netto, o trabalho traz ganhos diversos para o país, que passa a tratar seus resíduos adequadamente e oferece às universidades possibilidade de novos conhecimentos, que certamente trarão desdobramentos científicos relevantes.
Segundo Marcos Freitas, coordenador do PPE, este trabalho identificará todos os resíduos e efluentes gerados nos portos e indicará as boas práticas para a sua gestão, elevando o Brasil a um padrão internacional no cumprimento de normas nas áreas de meio ambiente e vigilância sanitária e agropecuária .
O programa fará três tipos de diagnóstico: resíduos sólidos; efluentes líquidos e fauna sinantrópica nociva (pombos, ratos, insetos e outros animais). Os resíduos incluem desde alimentos dos navios de passageiros à acúmulo de grãos resultante das operações portuárias ou mesmo papel descartado pelas empresas. Efluentes líquidos contemplam, entre outros, esgoto e óleo combustível. Já a fauna é classificada de duas formas: fauna sinantrópica: espécies animais que se adaptaram a viver junto ao homem, a despeito da vontade deste; e fauna sinantrópica Nociva: fauna sinantrópica que interage de forma negativa com a população humana, com risco à saúde pública
O diagnóstico contempla ainda os seguintes portos: Porto de Vila do Conde e Porto de Belém/PA; Porto de Itaqui/MA; Porto de Natal/RN; Porto de Cabedelo/PB; Porto de Recife e Porto de Suape/PE; Porto de Maceió/AL; Porto de Salvador, Porto de Aratu e Porto de Ilhéus/BA; Porto de Vitória/ES; Porto do Rio de Janeiro e Porto de Itaguaí/RJ; Porto de São Sebastião e Porto de Santos/SP; Porto de São Francisco do Sul, Porto de Itajaí e Porto de Imbituba/SC; Porto de Paranaguá/PR e Porto de Rio Grande/RS.
Outras informações: Cláudia Moreira 21- 3212-1007
Andrea Dunningham 21 3212- 1004