Dezenove de abril é o dia do índio. Uma oportunidade para refletir sobre um povo que, desde o descobrimento do Brasil, luta contra a destruição de sua cultura e pela manutenção de suas tradições. De acordo com o Relatório Situação da Infância e Adolescência Brasileiras, cerca de 50% dos índios brasileiros vivem fora de territórios indígenas.
Vítimas da falta de demarcação adequada das terras, da invasão de madeireiros, garimpeiros e fazendeiros, crianças e adolescentes indígenas vão parar na cidade, onde perdem a identidade e sofrem uma série de conseqüências. Os meninos e meninas que continuam nas tribos são muitas vezes prejudicados pela presença do homem branco em suas vidas, que interferem na cultura, na saúde e na educação.
Prevenção
O respeito à diversidade é imprescindível quando se fala em saúde indígena. Segundo especialistas, cuidar do bem-estar dessa população requer cuidados especiais. Os conhecimentos da medicina popular devem ser aproveitados e valorizados, pois além de respeitarem as tradições dos povos, possuem custos mais baixos. Por essa razão, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) prioriza as atividades de prevenção, além do diagnóstico e tratamento. Mas alguns povos indígenas, como os kaingangs, sofreram grande aculturação durante o processo de urbanização.
Em virtude do contato cada vez mais constante com a população urbana, ficaram mais vulneráveis a muitas doenças. Quando têm gripe forte, por exemplo, precisam ir ao posto de saúde ou receber a visita de um médico.
Vacinas
Fazendo valer-se da política da prevenção, existe também uma cobertura vacinal de crianças e adolescentes. De acordo com o Ministério da Saúde, a cobertura contempla as vacinas BCG, vacina dupla bacteriana, tríplice viral, tetravalente, tríplice bacteriana, vacina contra a febre amarela, varicela, influenza, pneumococos, hepatite B e poliomielite. Ambas têm indicações diferenciadas com relação às faixas etárias.
A cobertura vacinal da população de zero a 19 anos de idade é de 97%. Em todas as aldeias do Estado, as equipes multidisciplinares que ali trabalham realizam a busca ativa dos meninos e meninas faltosos. Muitos índios têm consciência da importância desse tipo de prevenção e já incorporaram o hábito de vacinar suas crianças. Entre as doenças que mais atacam crianças e adolescentes indígenas estão as dermatites parasitárias, doenças respiratórias, desnutrição, doenças diarréicas e verminoses.
Saúde dentária
No Paraná, entre as atividades de saúde proporcionadas pela Funasa às crianças e adolescentes indígenas está o serviço de saúde bucal. Existem atualmente 20 cirurgiões-dentistas trabalhando nas reservas indígenas de todo o estado. Em boa parte das aldeias, há um equipamento odontológico completo. A prática clínica é composta de atividades como: profilaxias (limpezas), restaurações, exodontias (extrações), próteses e muitas vezes até endodontias (tratamento de canal). Em 2005, foram realizadas, para a faixa etária de zero a 19 anos, 4.278 consultas em todo o Paraná.
Maternidade
Quando prestes a ter um filho, as mães indígenas recebem ainda nas aldeias um acompanhamento pré-natal, que vai desde alguns exames de prevenção até o controle nutricional para que se desenvolva uma gravidez saudável. No entanto, como as aldeias nem sempre contam com estrutura totalmente especializada, a mulher indígena em situação de maternidade é encaminhada, quando necessário, para o município mais próximo de sua aldeia, onde passa por acompanhamento médico.
Casa de Saúde do Índio
A Casa é uma instituição de apoio que atende à comunidade indígena quando é necessário o tratamento médico. A casa recebe cerca de 30 índios de diferentes localidades por mês, que permanecem no local junto com um acompanhante até a total recuperação. Além de consultas, exame