Rio de Janeiro - Em plena crise mundial, a indústria brasileira de jogos eletrônicos está em franca ascensão. Em 2008, houve um crescimento de 31% na área de
software e 8% na parte de hardware (parte física de
um computador e de seus periféricos). “A tendência é
que continue a crescer e se fortaleça. A expectativa é
que essa curva esteja subindo”, afirma o presidente da Associação Brasileira de
Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), Winston
Petty.
Segundo Petty, a crise externa não está
afetando a indústria de jogos eletrônicos e que o
momento deve ser aproveitado pelo país para ampliar sua
produção. “Em momentos de crise financeira, aumenta o
consumo de entretenimento, porque as pessoas passam a gastar menos,
buscam opções mais caseiras. A crise está
afetando a indústria de forma positiva.”
O número de empresas do setor deverá
crescer de 42 para 50 neste primeiro semestre, prevê o presidente da Abragames. De acordo com a entidade, 43,3% da produção nacional de
software para games são exportados, e 100% do hardware ficam no mercado nacional. Os
maiores compradores de jogos brasileiros
são a Europa, sobrtetudo a Alemanha, e os Estados
Unidos. O game nacional apresenta várias versões:
entretenimento; mercado publicitário; treinamento e educação;
e eventos.
O diretor de Relações
Públicas da Abragames, André
Penha,
ressalta que a participação brasileira na produção mundial ainda é pequena e representa 0,16% do total. É uma parcela inferior a participação nacional de 1,7% a 1,8% no mercado mundial de softwares (programas de
computador).
“A gente tem capacidade, por ser mídia e por
ser software, e por saber fazer as duas coisas, de produzir
isso aqui dentro, e tem um terreno enorme para crescer pela frente”, diz Penha, acrescentando que o Brasil deve fortalecer o mercado interno
de games, para “multiplicar essa indústria por dez
nos próximos anos”.
Segundo Penha, existe no Brasil uma concorrência do produto pirateado e da chamada “importação cinza”, referente ao produto original que é trazido do exterior sem nota fiscal. “Isso não gera dinheiro para o mercado, não paga imposto, não fortalece a indústria brasileira. Fortalece o contrabandista. Isso é ruim.”
Winston Petty avalia que ocorreu uma grande evolução da indústria brasileira de games nos últimos anos, apesar do setor ainda se encontrar em estágio embrionário em relação ao resto do mundo. O salário médio de um profissional é hoje e R$ 2.272,71. Para ele, esse valor está abaixo do ideal, mas “reflete o estado de crescimento da indústria brasileira”.
O setor gera cerca de 560 empregos. Embora o número seja reduzido, o diretor da Abragames, André Penha, informou que a indústria produz um Produto Interno Bruto (PIB) per capita (por habitante) expressivo, que alcança em torno de R$ 160 mil/ano. “É bastante razoável como indústria de tecnologia”.
Segundo o presidente da
Abragames, a indústria ainda precisa de apoio
governamental. O governo incentiva o setor por meio de ações
dos Ministérios da Cultura e do Desenvolvimento, “apesar de
em outros países haver suporte bem mais estruturado,
especialmente na questão de recursos alocados. O investimento
nesse mercado é muito agressivo porque movimenta muito
dinheiro. E o Brasil ainda está fora disso”, disse.