Brasília, 20/12/2002 (Agência Brasil - ABr) - O novo ministro da Educação é o ex-governador do Distrito Federal e senador eleito pelo Partido dos Trabalhadores, o professor Cristovam Buarque. O governo Cristovam se notabilizou no país por ser o primeiro a instalar em larga escala o programa Bolsa Escola. Esse programa pagava uma soma equivalente a um salário mínimo para famílias carentes que mantinham seus filhos na escola.
O programa abarcava 25.680 famílias e beneficiava diretamente 60.673 crianças ao fim da gestão. Em 1996, enquanto a taxa de evasão nas escolas públicas de Brasília era de 7,4% e a repetência, de 18,1%, entre os alunos do Bolsa Escola os índices eram de 0,4% e 8%. Em 1997, a parcela de bolsistas que nunca haviam repetido de ano era de 61,9%; entre os não-bolsistas, de 40,9%.
Cristovam nasceu em Recife, capital do Pernambuco. Se formou em economia e fez um doutorado na área na universidade francesa de Sorbonne. Desde 1980 foi professor Universidade de Brasília e já foi reitor desta entidade. Também presidiu o Conselho da Universidade Para Paz, órgão filiado a Organização das Nações Unidas. Ao longo de sua carreira acadêmica, escreveu 18 livros, tratando de temas como economia, história, sociologia e educação.
Se filiou ao PT em 1989 e se elegeu governador do DF entre 1995 e 1988. Durante seu governo, enfrentou diversos processos judiciais por acusações de propaganda irregular e quase ficou inelegível por oito anos. Mas nunca foi condenado em última instância.
Após ser derrotado na sua tentativa de reeleição para o governo do DF em 1998, fundou a organização não governamental (ONG) Missão Criança. A ONG visa divulgar o programa Bolsa Escola, que hoje tem similares em diversos países como Argentina, México, Equador e Moçambique. A Missão Criança tem apoio da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Recentemente, a ONU está estudando a aplicação da Bolsa Escola em diversos países da África para o combater a pobreza.
Fabrício Azevedo