Jovens irmãs gêmeas guarulhenses, ambas deficientes visuais, acabam de conseguir o primeiro emprego como operadoras em call center. Após participarem, por seis meses, de cursos gratuitos de telemarketing e informática, oferecidos pela Secretaria de Trabalho de Guarulhos, na Grande São Paulo, Camila e Mariana Bargasgueiro, de 19 anos, foram empregadas por uma empresa da capital paulista.
Elas freqüentaram diariamente, das 7h30 às 12h, as aulas profissionalizantes que fazem parte do Programa Juventude Cidadã. O programa atende a jovens de 16 a 24 anos de famílias de baixa renda. Além de formação profissional, eles recebem reforço escolar e noções de cidadania e prestam serviço comunitário. Só no ano de 2006, cerca de 7 mil pessoas foram beneficiadas.
Com a ajuda dos cursos que realizei, estou orgulhosa por ter conseguido minha independência profissional. O salário que ganharei me ajudará a comprar o que necessito e a pagar várias contas em casa, explica Camila Bargasgueiro.
Para conseguirem os empregos, as irmãs também contaram com o apoio da Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva). Localizada em São Paulo, a entidade fornece cursos profissionalizantes gratuitos e divulga as vagas de trabalho para deficientes disponíveis em empresas.
"Para mim, o mais importante é nunca desistir dos sonhos. É fundamental investir muito em si mesmo para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, principalmente entre os jovens, afirma Mariana Bargasgueiro.
Segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), o setor é o que mais oferece a primeira oportunidade de emprego aos jovens sem experiência anterior, já que as empresas promovem o treinamento necessário para o exercício das atividades. Pesquisa realizada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em parceria com a ABT, revela que 45% dos teleatendentes têm de 18 anos a 24 anos.
Além de investir cada vez mais em maneiras para viabilizar a contratação de deficientes físicos, o segmento também está preocupado em garantir o melhor atendimento a esse público. As pessoas com deficiência não são doentes e muito menos improdutivas, afirma Laércio Ventura, deficiente físico e consultor da ABT no Programa de Inclusão e Empregabilidade.