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Dois anos após inundação, São Luiz do Paraitinga está 80% reconstruída

Publicado em 01.01.2012 por Agência Brasil

Repórter da Agência Brasil

São Paulo Dois anos após sofrer uma inundação que devastou boa parte de seu centro histórico, São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, está com 80% de toda área atingida reconstruída, de acordo com a prefeita da cidade, Ana Lucia Bilard Sicherle. “Hoje o município tem toda área de risco detectada, monitorada. Agora é fazer com que São Luiz cresça ordenadamente, este é um grande desafio”, diz.

Nos primeiros dias de 2010, uma enchente causada pela elevação das águas do Rio Paraitinga danificou cerca de 300 construções da cidade, desalojando e desabrigando cerca de 9 mil moradores a população da cidade, segundo o último censo, é 10,4 mil pessoas. Boa parte do casario histórico, a Igreja Matriz de São Luís de Tolosa, a Capela das Mercês e o prédio da biblioteca foram destruídos.

“O desafio agora é de terminar a obra, principalmente a de contenção de cheias, que é um pouco mais demorada, já que envolve outras cidades. É uma discussão maior, e é um grande desafio. O sonho de todo luizense é que nessa cidade não entre mais água”, disse a prefeita.

A cidade era a única do estado a ter preservado um conjunto arquitetônico de construções do século 19 em bom estado e em grande número. As edificações eram fundamentais para a economia da cidade, que girava em torno do turismo, e para a realização das manifestações culturais locais, como os festejos do Divino Espírito Santo, o carnaval, as festas da Semana Santa e o Corpus Christi.

As edificações de São Luiz eram um raro registro histórico da primeira área de expansão da cafeicultura brasileira no século 19, no Vale do Paraíba. O período não é, geralmente, foco de políticas públicas de preservação de patrimônio, como ocorrem em cidades com construções do período colonial vinculadas à mineração mineira ou à economia açucareira nordestina.

De acordo com a diretora de Obras da prefeitura, Natalia Moradei, estão sendo executadas, no momento, a reconstrução da Igreja Matriz (com previsão de término para 2013), da Biblioteca Municipal, e a restauração da sede da prefeitura, parcialmente destruída. Do patrimônio histórico afetado pelas águas, já foram entregues a Capela de Nossa Senhora das Mercês, reinaugurada em setembro em 2011, e alguns imóveis particulares.

“As pessoas mais idosas, que moravam nas casas históricas, foram afastadas de suas moradias, o que causou uma certa angústia, elas sofreram naquele momento. Agora, os que já estão tendo a recuperação do imóvel, com o restauro iniciado, estão muito felizes e estão participando desse processo”, declarou.

Irene Moura, de 76 anos de idade, que perdeu a casa e a loja de artesanato na enchente, disse que só nos últimos meses está conseguindo voltar à vida normal. “Quando acordamos estava caindo o grupo [escola], e a igreja. Tudo escuro, e tudo coberto de água. Perdi tudo, tudo”. Na noite de alagamento, Irene dormia na casa de um filho em área elevada da cidade. “Com muito custo voltamos para cá, arrumamos a casa. Mas agora tenho medo de trovão, tenho medo de acontecer de novo”, completou.

Edição: Aécio Amado


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