A força e a beleza da palavra de Carlos Drummond de Andrade, ganha a cena no espetáculo musicado “Drummond”, destaque da Programação deste início de ano em São Paulo. O espetáculo do Ceart (Centro de Estudos e Artes) faz curta temporada no Teatro Silvio Romero (Tatuapé), todos os sábados, na sessão das 18h.
“Meu nome é tumulto e escreve-se na pedra”. A partir desse verso de nosso Poeta Maior vem à cena um Drummond inquieto e o mesmo tempo musical, como se a personagem invisível de Drummond emergisse da pequena Itabira “alguns anos vivi em Itabira, principalmente nasci em Itabira”, ganhasse a juventude boêmia de Belo Horizonte, para depois observar e questionar o mundo aos pés do Cristo Redentor e das favelas cariocas.
A releitura feita em 87, musicada por Olavo Nascimento e Benê Silva, e que já rendeu mais de uma dezena de prêmios para o Ceart, ganha agora a direção de Daniela Fischer, Assistência de Thiago Silva e Direção Musical de Rudah. Em cena, Maria Júlia Pereira; Daniela Fischer (Prêmio Cacilda Becker - Melhor Atriz) ; Thiago Silva (Prêmio Cacilda Becker e Estadual Melhor Ator); Rudah (Indicação Melhor Ator Revelação -2010) ; Fernanda Barbosa e Júlia Oliveira.
DRUMMOND
“Meu nome é tumulto e escreve-se na pedra”
“DRUMMOND”, mais que uma homenagem, tem por objetivo a radiografia da alma de um tempo, a partir do ponto de vista do poeta. Drummond soube como ninguém vivenciar e exprimir seu “sentimento do mundo”. Para esse roteiro aprovado por Drummond foram selecionados poemas que marcam as diversas fases do poeta, desde os primeiros poemas de 1923 (publicados em “Alguma Poesia” - 1930), já refletindo as conquistas da Semana de Arte Moderna de 22, até alguns poemas inéditos.
Em “DRUMMOND” os versos funcionam como filamentos da alma de um homem que viveu e atuou em seu mundo, com sentimento pleno. E, embora, muitas vezes retrate as angústias e desesperanças do ser diante de um mundo caduco, não deixou um minuto sequer de lutar para modificá-lo “lutar com palavras é a luta mais vã. No entanto lutamos, mal rompe a manhã...”.
O espetáculo é composto em 5 quadros, que descrevem um roteiro, não cronológico de apresentação, numa seqüência de vida da personagem “Drummond”, extraída de seus versos: 1. Nascimento do Poeta; 2. Adolescência, rebeldia e embriagues; 3. Paixão e vida; 4. O Poeta social em tempos de medo ; 5. Poeta de seu tempo.
DRUMMOND
Poeta de seu tempo. Braço mineiro do modernismo (um homem à esquerda do próprio modernismo) soube ser belo e ao mesmo tempo externa sua “repugnância total por vosso lirismo deteriorado, que polui a essência mesma dos diamantes”. Diante do mundo não se desviou da “pedra no meio do caminho”. Provocador, de fina ironia, de uma discrição que o fez o mais mineiro dos mineiros.
O poeta deixou entre três a cinco volumes de textos inéditos, inclusive uma coletânea de poemas eróticos, reunidos numa pasta que Drummond intitulou AMOR NATURAL. Deixou também FAREWELL (poemas de circunstância) .
Dentre as obras pesquisadas, destacam-se poemas dos livros:
1930- Alguma poesia 1934- Brejo das almas
1940-Sentimento do mundo 1942- José
1945- A rosa do povo 1951- Claro enigma
1954- Fazendeiro do ar 1959- A vida passado a limpo
1962- Lição de coisas 1968- Boitempo
1974- Caminhos de J.Brandão 1984- Corpo
O ESPETÁCULO QUE EMOCIONOU O POETA
“Drummond (o musical)” é uma leitura de Benê Silva da obra de Carlos Drummond de Andrade, feita em, 1987. Musicado por Olavo Nascimento. Irredutível no início, Drummond começa a dialogar com Benê Silva sobre os poemas selecionados e acaba por dar o seu aval. O roteiro cênico faz um passeio pela obra de nosso Poeta Maior, desde sua participação no movimento modernista até sua última obra publicada em vida (Corpo, 1987). A elaboração do roteiro e das músicas foi feita para homenagear o então 85º aniversário do poeta, que ocorreria naquele ano (31 de outubro ´de 1987), com a presença de Drummond em Campinas.
O espetáculo, teve sua pré-estréia no mesmo Centro de Convivência Cultural de Campinas onde foi gravado em vídeo e encaminhado a Drummond. Drummond se declara emocionado e comovido com o espetáculo. No dia 07 de julho o poeta encaminhou um cartão agradecendo a homenagem e lamentando não ter podido estar na pré-estréia. Por telefone discute a vinda para uma apresentação no aniversário do poeta em outubro. Porém Drummond viria a falecer 40 dias depois (17 de Agosto de 1987).
DRUMMOND
Teatro Musicado da Obra de Carlos Drummond de Andrade
Montagem: CEART
Roteiro Cênico: Benê Silva
Músicas: Olavo Nascimento
Coordenação Musical: Rudah
Direção: Daniela Fischer e Thiago Silva
Com: Daniela Fischer; Fernanda Barbosa; Júlia Oliveira; Rudah e Thiago Silva
CURTA TEMPORADA: TODOS OS SÁBADOS DE FEVEREIRO - 18 HORAS
Local: TEATRO SILVIO ROMERO
RUA COELHO LISBOA, 334 -TATUAPÉ - SÃO PAULO-SP
FONE: (11) 2093-3246
Bilheteria: Quarta a Sábados: das 15h às 22h
Ingressos:R$40,00 (inteira) R$20,00 (meia)
ESTACIONAMENTO: sim - não conveniado
ACESSO DEFICIENTES: sim
www.teatrosilvioromero.com.br