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Eduardo Kobra inicia mural do Greenpincel em Atenas, na Grécia

Publicado em 03.08.2011 por Maxpress

Eduardo Kobra viajou a convite Kiriakos Iosifidis, editor que publicou três livros sobre muralismo, um deles trazendo em duas páginas o trabalho de Kobra. O artista brasileiro iniciou hoje, quarta-feira, dia 3 de agosto, na capital grega o mural “Evolução Desumana”. É a primeira vez que Kobra faz no Exterior uma obra de seu projeto mais recente, o “Greenpincel”.

O muralista e artista plástico Eduardo Kobra inicia hoje, dia 3 de agosto, quarta-feira, a pintura de seu primeiro mural na Grécia. Em um ponto nobre de Atenas (próximo à estação do metrô Pefkakia), ele faz o mural “Evolução Desumana”, com cerca de 35 metros de comprimento por cinco de altura, dentro de seu novo projeto, o Greenpincel. Kobra viajou para Atentas a convite de Kiriakos Isofidis, sócio da editora Carpe Diem, que já publicou três livros sobre muralismo (“Mural Art Book 1, 2, e 3”), além de diversos outros livros sobre Street Art). O terceiro volume de “Mural Art Book” traz duas páginas sobre o trabalho de Kobra. Isofidis também dirige o grupo Carpe Diem, um dos principais de arte de rua na Grécia.

É a primeira vez que Kobra faz um mural do Greenpincel fora do país. Nas duas viagens que fez este ano à Europa, para Lyon (França) e Londres, fez murais relacionados ao seu projeto mais antigo, o Muro das Memórias.

Em “Evolução Desumana”, Kobra parte da Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, para criticar as intervenções humanas no planeta. Como no local há uma área verde, o artista brasileiro busca que as cenas pintadas se integrem ao meio-ambiente. “Acho que a imagem fala por si só. Mas, procurando contextualizar, digo que, por mais piegas que pareça, é precioso sempre denunciar a evolução desumana, o fato dos homens modernos não respeitarem o planeta e destruírem a natureza - o meio ambiente rural e até mesmo o urbano - levando a Terra ao caos”, afirma. E acrescenta: “o Homo Sapiens se tornou o Homem Destruidor, modificando o habitat natural de tantas espécies, aquecendo o clima e matando a tudo e a todos”.

O muralista conta ainda que muitos amigos e colegas aconselharam-no a não aceitar o convite neste momento em que a Grécia vive uma grande crise. “Mas este foi justamente um dos motivos que me fizeram vir para cá. Quis acompanhar de perto esta questão do euro, as manifestações populares contra o desemprego...enfim, fiz questão de estar aqui em um importante momento histórico neste país tão fundamental para a história da arte e da filosofia de todo o mundo”.

. Kobra entregou recentemente um novo mural para a cidade de São Paulo, dentro do projeto Greepincel. Fez um chocante mural de “boas-vindas”, chamado “Welcome to Amazônia”, na av. Rebouças, 167, com cerca de 7mX5m. O cenário mostra um ambiente arrasado. Pouco antes, concluiu o mural o “CO2”, na rua Alvarenga, 2.400, com cerca de 10mX5m, também parte do seu projeto Greenpincel, iniciado com o mural “Navio Baleeiro” (obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru), realizado em março na rua Domingos de Morais, na Vila Mariana.

Segundo Kobra, o Greenpincel pretende denunciar e combater artisticamente as várias formas de agressão do Homem à natureza. “Todas as tragédias naturais que têm acontecido em nosso planeta mostram que proteger os animais e a natureza como um todo é também uma forma de protegermos o ser humano. Particularmente, sou um apaixonado por plantas e animais. São temas que namoro há muito tempo e, por isso, decidi que já era hora de colocá-los também dentro do meu trabalho como artista”, diz.

O Greenpincel marca uma nova etapa nas obras de rua do artista, que buscam basicamente preservar a memória e trazer beleza aos paulistanos, em meio à correria do dia-a-dia. “Gosto muito de resgatar a história e levar beleza às ruas das cidades, o que faço principalmente no projeto ‘Muro das Memórias’, mas há situações de denúncia em que devemos chocar, mostrando, como disse, artisticamente as agressões feitas contra o nosso Planeta”, afirma Eduardo Kobra, que há um mês inaugurou diversas obras no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Trabalhos Internacionais

O muralista e artista plástico, que embarcou dia 26 de julho para a Grécia, fez recentemente dois murais na Europa. Em maio deste ano em Lyon, França, pintou o mural Imigrantes (de 17 metros de comprimento por 3,5 de altura), no bairro de Guillotiére, que é conhecido por abrigar muitos imigrantes, vindos de diversos países e continentes. Um novo projeto da Prefeitura da cidade prevê a demolição de varias casas e prédios históricos dessa região, para a construção de uma ampla avenida, trazendo modernidade às custas da perda de patrimônio histórico e, principalmente, da retirada de antigos moradores. “Minha pintura fez parte de uma série de eventos e protestos contra essa ação da Prefeitura”, explica o artista. Todo o processo produtivo de Eduardo Kobra foi acompanhado pelo francês Gilbert Codene, líder de uma das principais equipes de pintores muralistas no mundo.

Antes de Lyon, Kobra passou algumas semanas em Londres, onde fez, em abril, um mural na bicentenária Roundhouse. Nesse muro já existiram outros trabalhos. O primeiro foi do famosíssimo grafiteiro Banksy (um documentário sobre ele concorreu este ano ao Oscar). “O trabalho de Banksy foi atacado por uma senhora que mora no bairro e não gostou da obra, destruindo-a com tinta branca. Pouco depois, vários artistas utilizaram o muro para protestar, desenhando uma onça e colocando frases contra o ataque”, conta Kobra. A Roundhouse fica no Camden Town, um dos bairros mais descolados de Londres e é umas das mais importantes aqui da capital inglesa. Por lá já se apresentaram nomes como Mick Jagger.

Mais sobre o artista

Muralista e artista plástico, o brasileiro Eduardo Kobra, 35 anos, nascido no estado de São Paulo, é um expoente da neo-vanguarda paulista. Seu talento brota por volta de 1987, no bairro do Campo Limpo com o pixo e o graffiti, caros ao movimento Hip Hop, e se espalha pela cidade. Com os desdobramentos que a arte urbana ganhou em São Paulo, ele derivou com o Studio Kobra, criado nos anos 90 - para um muralismo original - inspirado em muitos artistas, especialmente os pintores mexicanos e no design do norte-americano Eric Grohe - beneficiando-se das características de artista experimentador, bom desenhista e hábil pintor realista. Suas criações são ricas em detalhes, que mesclam realidade e um certo “transformismo” grafiteiro.

Nesse caminho ele desenvolveu o projeto “ Muros da memória” que busca transformar através de murais a paisagem urbana através da arte e resgatar a memória da cidade. Os desenhos são a síntese do seu modo peculiar de criar - através do qual pinta, adere, interfere e sobrepõe cenas e personagens das primeiras décadas do século XX. Essas obras são uma junção de nostalgia e modernidade, por meio de pinturas cenográficas, algumas monumentais. Através delas cria portais para saudosos momentos da cidade. O maior destes murais, que mede 1000 m2, foi realizado em 2009 na avenida 23 de Maio, em comemoração ao aniversário de São Paulo. “A idéia é estabelecer uma comparação entre o ar romântico e o clima de nostalgia, com a constante agitação de hoje”, afirma o artista.

O projeto alcançou repercussão nacional. Além dos inúmeros trabalhos na cosmopolita São Paulo, a maior cidade brasileira, Kobra produziu murais em Brasília, Rio de Janeiro, Belém do Pará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Kobra, inquieto, estudioso e autodidata, também faz pesquisas com materiais reciclados e novas tecnologias, como a pintura em 3D sobre pavimentos (muito difundida por nomes internacionais, como Julian Beever e Kurt Wenner), A convite da prefeitura de São Paulo, o artista realizou diversas obras em 3D, como na Praça Patriarca, no centro da Cidade, a primeira no Brasil; e na Avenida Paulista, símbolo da megalópole. A técnica anamórfica consiste em "enganar os olhos". A pintura é distorcida ou mesmo incompreensível na maioria dos ângulos de visão, mas ao ver do ângulo correto, estipulado pelo artista, se torna um 3D com incrível variação de profundidade e realismo. Recentemente o artista iniciou um novo projeto, o “Greenpincel” (citado no início deste release).

Veja a seguir uma síntese das linhas de trabalho de Eduardo Kobra

Muros das Memórias projeto mais antigo e constante de Eduardo Kobra, que pinta São Paulo antiga, geralmente em PB. Há cerca de 20 trabalhos em São Paulo. Cria um contraste entre o antigo e o contemporâneo. Na av. 23 de maio, em seu maior trabalho, de mil metros quadrados, as pessoas passam em seus carros, como máquinas, a toda velocidade. O lado humano da avenida está justamente nos rostos pintados no muro. O artista começa a ser convidado para desenvolver trabalhos do Muro das Memórias em outras cidades. Fez, por exemplo, lindas criações em Belém do Pará e Santa Maria (RS).

3D Kobra é pioneiro nesta arte. .Surpreendeu São Paulo fazendo um carro em 3d na Praça do Patriarca. A obra tinha cerca de 30 metros de largura por oito de comprimento. De 98% das posições o espectador via uma mancha no chão. De dois por cento via um carro, “real”, na frente. Fez um Pelé na Av. Paulista; um Michael Jackson no Rio (junto com o artista plástico Romero Brito); uma piscina no Rio (homenagem às Olimpíadas); monumentos de Brasília na Esplanada dos Ministérios e um canyon com elementos brasileiros e sul-africanos na Praça do Patriarca, em São Paulo, durante a Copa do Mundo.

Galeria de Céu Aberto O artista começou recentemente a colocar seus quadros em muros e outros espaços da cidade de São Paulo. Quer mostrar para as pessoas que a arte é bonita e acessível, que todos podem entrar em galerias. “Muita gente pensa que não gosta de arte simplesmente porque nunca entrou em museus e galerias”, afirma o Eduardo Kobra que há pouco mais de três meses fez uma obra deste projeto em muro da Praça Panamericana.

Galeria Kobra se firma cada vez mais como artista plástico. Sua arte é vista cada vez mais encontrada também nas galerias. Em outubro de 2008, fez na galeria Michelangelo, em São Paulo, a elogiada exposição “Lei da Cidade que Pinta”, onde placas, outdoors, luminosos e outros materiais de comunicação visual retirados pelos fiscais e funcionários da Prefeitura ressurgiram como suporte para as obras de arte. Em julho de 2009 fez, também em São Paulo, na galeria Pró Arte, a exposição “Visitas”, sucesso de crítica e público. Em julho e agosto realizou algumas intervenções em 3D com o artista plástico Romero Britto, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em novembro de 2009, expôs 25 telas na Galeria Romero Britto. Uma de suas telas foi exposta no Museu do Louvre, em 2009, em Paris. Tem telas na Galeria de Arte André.

Greenpincel Novo projeto que o artista desenvolve desde março de 2011, buscando alertar e combater as agressões do homem aos animais e ao planeta como um todo. Nesta semana, finaliza em São Paulo os murais “CO2” e “Welcome to Amazônia”.

O artista também desenvolve trabalhos comerciais, coerentes com sua linha de trabalho, para empresas, residências, bares, restaurantes.

 

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