Enviar

Em Davos, ideais e conceitos políticos ganham força embutidos em discursos econômicos

Publicado em 21.01.2004 por Agência Brasil

Murilo Ramos

Enviado especial


Davos (Suíça) - Apesar de levar a economia no nome, o Fórum Econômico Mundial é, na verdade, a oportunidade de representantes de governos, empresas e organismos não- governamentais se projetarem para o mundo com idéias e conceitos, muitas vezes ligados à política.

A abertura do encontro teve muito disso. A amplitude do tema "Segurança e Prosperidade" permitiu que o ministro da Defesa da Inglaterra, Jack Straw, usasse os holofotes posicionados na hora para cobrar da Organização das Nações Unidas (ONU) mais atenção à questão do Iraque. Sugeriu que o organismo multilateral tenha papel mais efetivo na reconstrução do país, principalmente após a prisão do ex-presidente Saddam Hussein.

Straw, no entanto, fez questão de ressaltar que a Grã-Bretanha continuará com a força de ocupação, ao lado dos Estados Unidos, a fim de garantir o "controle da ordem". No ano passado, a postura britânica provocou choque com outros integrantes do Fórum, contrários à intervenção.

O assunto, no entanto, não vai se apagar de vez, pois o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, e o administrador americano no Iraque, Paul Bremer, devem tratar do assunto.

Palco disputado

Outra que teve a chance de dar o seu recado foi a diretora do movimento "opinião Pública de Olho em Davos", Mary Robinson. Ela explicou que o foco do encontro mundial tem de mudar, já que o abismo entre pobres e ricos tem aumentado sem que isso tenha atenuado nos últimos anos. "A conta capitalista só fala em números, enquanto que as pessoas continuam passando por necessidades ao redor do mundo. É uma matemática burra", destacou.

A exemplo de Straw, Robinson pediu que a ONU tenha um papel mais efetivo no combate às desigualdades. "A ONU deve manifestar-se", afirmou. A diretora da ONG participou do Fórum Social Mundial.

Uma paralelo a Davos oficial

A menos de um quilômetro de onde se realiza o Fórum Econômico Mundial, uma "Davos aberta" está sendo promovida para debater assuntos com alguma interface com aquilo que é discutido pelas principais autoridades e empresários no FEM. Na lista de discussões estão assuntos como a "desglobalização" e mais dúvidas do que certezas, como o tema: "A globalização aumentou os riscos de crises financeiras globais?", ou "Religião: a globalização pode trazer a salvação?"

Muito menos reflexivo são alguns movimentos contrários à realização do fórum, como o anti-WEF, baseado na Bélgica. O movimento promete para este ano causar confusão na estrada que liga Zurique a Davos. Uma das propostas é evitar que participantes do fórum cheguem ao seu destino final a fim de "disseminar idéias capitalistas de opressão".

Páginas relacionadas

Seminário sobre Edutainment no Fórum Mundial de Educação

Publicado em 22.03.2006 por Pauta Social

Itaipu contribui com a Rio +20

Publicado em 19.03.2012 por Maxpress

4º Fórum Mundial de Comunicação Social

Publicado em 21.03.2006 por Pauta Social

Prêmio de Reportagem Social Divulga Vencedores

Publicado em 24.03.2008 por Pauta Social

Reprodução do conteúdo

Esta página foi publicada originalmente por Agência Brasil em 21.01.2004 e pode ser reproduzida livremente. Para isso, cite sempre sua fonte original e, se possível, coloque um link para o agregario.com.
Quem SomosPolítica de Privacidade