Realizado na manhã da última segunda-feira, 23/07, na Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), o I Encontro da Rede de Atenção à Criança e ao Adolescente de Fortaleza discutiu maneiras de melhorar a comunicação entre os integrantes dessa rede de atendimento, que, no Estado, passa por uma reestruturação. Um dos destaques do encontro foi o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual.
Em Fortaleza, segundo pesquisa realizada pela Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci), os bairros Grande Jangurussu, Canidezinho e Serrinha são os que apresentam maior incidência deste tipo de violência. Para a juíza da 12ª Vara de crimes contra crianças e adolescentes, Ilna Lima de Castro, Prefeitura e Estado devem entrar em consenso quanto ao atendimento das vítimas. "Preciso saber para onde encaminhá-las", apela a juíza, explicando ainda que, caso as crianças exploradas ou abusadas não sejam tratadas, podem ser tornar futuros agressores.
Edna da Matta, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Infância e da Juventude (Caopij), acredita que o Encontro deve possibilitar uma avaliação do quadro atual do Ceará, mas admite "uma certa confusão" quanto às atribuições de órgãos e secretarias governamentais, o que pode comprometer o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
A transformação do projeto Sentinela, que recebia apenas casos de abuso ou exploração sexual e passou a atender vítimas de todo tipo de violência, também entrou no debate. Para Gilberto Braga, chefe de gabinete da Funci, a exploração e o abuso sexual devem ter atendimento especializado.
(Diário do Nordeste, Iracema Sales, 24/07)