Superar a insegurança alimentar e nutricional, com sustentabilidade ambiental e econômica em regiões metropolitanas é hoje um dos maiores desafios para sociedades de todo o mundo. Para discutir o assunto e promover a troca de experiências bem-sucedidas em onze capitais do Brasil, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), realiza um seminário nesta quinta, 31/05 e sexta-feira, 1/06, em Brasília - em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e as organizações não-governamentais Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas e Ipes - Promoción Del Desarrollo Sostenible.
A redução da fome e do desemprego e, ainda, devolver à terra sua função de produzir tem se consolidado cada vez mais como responsabilidade de agentes sociais, comunidades e poder público. O aproveitamento de espaços urbanos abandonados e baldios, por meio do cultivo de frutas, hortaliças e plantas medicinais e da criação de animais é uma tendência de futuro, que extrapola as iniciativas pioneiras em pátios de escolas, creches, hospitais e presídios. São estes os temas a serem tratados durante o Seminário Nacional Agricultura Urbana e Periurbana: uma estratégia política para combater a fome e promover a segurança alimentar e nutricional em regiões metropolitanas.
A abertura está marcada para às 9h, de quinta-feira, 31/05, no Bay Park Resort Hotel. Participarão do encontro o diretor do Departamento de Promoção de Sistemas Descentralizados, Crispim Moreira representando o secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Onaur Ruano - , o conselheiro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), Aloísio Melo, o presidente da Frente Parlamentar de Segurança Alimentar, deputado Nazareno Fonteles (PT/PI), além de representantes da FAO, coordenadores e técnicos do MDS, autoridades e lideranças comunitárias e de ONGs ligadas ao tema.
Na oportunidade, serão divulgados os resultados parciais de uma pesquisa inédita financiada pelo Ministério, chamada Identificação e Caracterização de Iniciativas de Agricultura Urbana e Periurbana (AUP), em Regiões Metropolitanas Brasileiras, resultado de um acordo entre a Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas , a ONG peruana Ipes e a cooperação técnica da FAO. O levantamento, feito em Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Belém (PA), Goiânia (GO) e Brasília (DF), identificou 635 iniciativas de agricultura urbana, das quais 396 nos Municípios-centro e 247 em outros Municípios da mesma região metropolitana.
Haverá apresentação dos painéis Agricultura Urbana como estratégia de combate à fome: ações políticas do governo; e Panorama da Agricultura Urbana na América Latina e Caribe; e Experiências regionais, lições aprendidas, com depoimentos de representantes regionais; além de debates sobre a situação atual e as perspectivas da agricultura urbana, que serão apresentados pelos grupos de trabalho.
Segundo o diretor do Departamento de Promoção de Sistemas Descentralizados da Sesan, Crispim Moreira, é fundamental investir em agricultura urbana, por isso o MDS mantém um programa especial destinado a estimular e apoiar financeiramente ações comunitárias que garantam a segurança alimentar e nutricional. Anualmente, R$ 10 milhões do orçamento do Ministério destinam-se a parceria com Estados, Municípios e ONGs, destaca. Para ele, a multiplicação desse tipo de experiências reforça a garantia do direito humano à alimentação saudável de famílias pobres, que sobrevivem em periferias de grandes centros e regiões metropolitanas. É uma chance de emancipação, porque as pessoas podem produzir seus próprios alimentos, comenta, lembrando que ainda oferece ocupação produtiva e renda familiar, porque os produtos podem ser vendidos e beneficiados por empreendimentos solidários.
A agricultura urbana também beneficia a saúd