Brasília, 23/3/2005 (Agência Brasil - ABr) - A institucionalização da Rede Nacional de Juventude foi um dos principais resultados da segunda edição do encontro Vozes Jovens, encerrado hoje em Brasília. Após três dias de debate, os mais de 100 jovens que participaram do evento elaboraram um plano de ação voltado para a concretização de políticas públicas para a juventude e formaram a rede para, juntamente com o governo federal, o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas (ONU), que organizaram o evento, viabilizarem a aplicação das propostas.
Representantes jovens de culturas indígenas e quilombolas, dos meios rural e urbano e portadores de necessidades especiais, entre outros segmentos sociais, se intercalaram entre os sete grupos temáticos de discussão: Educação e Exclusão; Direitos Humanos, Ações Afirmativas, Gênero e Raça; Trabalho; Saúde; Meio Ambiente; Esporte, Cultura, Lazer, Tecnologia de Informação e Comunicação; e Cidadania e Participação Social.
Para a especialista em Desenvolvimento Social e Sociedade Civil do Banco Mundial Zezé Weiss, o encontro superou as expectativas dos organizadores. "Primeiro, pela construção da diversidade, pois todas as vozes da juventude brasileira foram ouvidas em igualdade de espaço e de construção política. Segundo, pela maturidade das propostas. Nós partimos de uma plataforma de sonhos para propostas de ação concreta. Ver a juventude brasileira de todos os partidos, raças e religiões sentando na mesma mesa, separando ideologias e diferenças, para construir um Brasil melhor é excepcional", afirmou Zezé Weiss.
O próximo passo é analisar, juntamente com a Rede Nacional de Juventude formada no encontro, as propostas apresentadas pelos grupos temáticos para ver o que pode ser incorporado na carteira de projetos do Banco Mundial. Segundo ela, as propostas serão consideradas: "Existem recursos disponíveis dentro da carteira de projetos, e nós vamos considerar o que pode ser feito a partir de um banco. A gente espera contribuir, de forma substancial e relevante, para a celebração dos resultados no ano que vem".
Entre os temas discutidos no segundo Vozes Jovens, a perspectiva do jovem no campo foi destaque. Para o coordenador de Políticas de Juventude Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Fabiano Kempfer, o fortalecimento do Consórcio Social de Juventude foi a principal proposta elaborada pelos jovens para as ações a serem realizadas no meio rural. "Só no primeiro semestre deste ano, nós vamos, pelo consórcio, oferecer qualificação profissional e formação em diversas linhas para 5.400 filhos de agricultores. A proposta do evento foi para que esse alcance chegue a 25 mil pessoas."
Amanhã (24), haverá uma reunião com membros da rede e do Banco Mundial para debater formas de consolidar a parceria entre as instituições. "Queremos falar dos projetos que podemos encaminhar, como fazê-lo, que tipo de discussão será preciso manter entre o governo, os jovens, a ONU e a parte interna do Banco Mundial. Nós vamos sempre respeitar a decisão soberana da juventude aqui presente. Os acordos que foram firmados nesse encontro já são uma imensa plataforma", considerou a especialista do Banco Mundial.
(Juliana Borre)