O ensino bilíngüe a surdos consiste no acesso à Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e o português, língua majoritária, como segunda. "Isto significa respeitá-lo enquanto minoria, para que saibam Libras e conheçam a cultura surda", afirma Sabine Vergamini, coordenadora técnica da Escola Especial para Crianças Surdas (EECS), mantida pela Fundação de Rotarianos de São Paulo. Ao contrário de algumas instituições, que trabalham com o português oral, na EECS é abordado somente o escrito.
A instituição, fundada em 1977, defende que o ensino bilíngüe é a melhor maneira de realizar a educação a surdos. "Na EECS, a educação começa desde os primeiros meses da criança, com o Programa Estimulação do Desenvolvimento que atende bebês surdos de zero a três anos, garantindo o desenvolvimento de linguagem das crianças e a aquisição da Libras desde cedo".
Em seguida, os alunos são encaminhados para a Educação Infantil e, depois para o Ensino Fundamental I. "O contato com o português escrito se dá desde a educação infantil, mas a formalização do trabalho com a língua escrita é partir da 1ª série do Ensino Fundamental". Após a formatura, os alunos são encaminhados para outras instituições para cursar o Ensino Fundamental II e Ensino Médio, por meio do Programa Continuidade de Escolaridade. A Fundação de Rotarianos mantém parcerias com outras escolas, inclusive com o Colégio Rio Branco, onde os alunos surdos têm aulas acompanhados por intérpretes de Libras/ Língua Portuguesa.
"Surdos são diferentes de ouvintes e precisam receber um ensino com outros tipos de abordagens. Não temos a intenção de transformar nossos alunos em 'pseudo-ouvintes', uma prática comum no passado em outras instituições. Enfatizamos uma educação que privilegie o visual, onde as informações possam ser bem recebidas por este canal, que, na grande maioria dos casos, não está prejudicado", explica Sabine.
Estar em contato com a língua de sinais e a língua portuguesa na forma da escrita permite que o surdo alcance um desenvolvimento completo. Desta forma, ele poderá pertencer e interagir não só com surdos, mas com ouvintes também. São dois mundos diferentes, mas que fazem parte do cotidiano dos surdos, já que na maioria dos casos, pais, familiares e amigos são ouvintes.