Publicado em 04.10.2005 por Agência Brasil
Érica Santana
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Criar um animal originário de outro país no Brasil ou transportar uma planta de uma região brasileira para outra pode provocar transformações irreparáveis na fauna e na flora locais. Eles podem ser converter nas chamadas espécies invasoras animais, plantas ou microrganismos que no hábitat de origem não causariam qualquer dano, mas que se levadas para outro ecossistema podem se disseminar de forma desordenada e causar, inclusive, prejuízos à saúde humana e à economiaEconomia é a ciência social que estuda a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. O termo economia vem do grego oikos (casa) e nomos (costume ou lei)ou também gerir, administrar: daí "regras da casa" (lar) e "administraçao da casa".
Fonte: Wikipedia
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De acordo com o coordenador-geral de Fauna do Instituto Brasileiro do Meio AmbienteO meio ambiente, comumente chamado apenas de ambiente, envolve todas as coisas vivas e não-vivas ocorrendo na Terra, ou em alguma região dela, que afetam os ecossistemas e a vida dos humanos.
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e dos Recursos Renováveis (Ibama), André Jean Deberdt, ainda não se tem uma noção exata sobre o tamanho do problema causado pela entrada dessas espécies no território brasileiro. A fim de conhecer essa realidade, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com cinco instituições, está realizando um levantamento padrão das espécies exóticas (a palavra, aqui, é usada para denominar o que vem de fora, e não para indicar aparência) existentes no país. A apresentação do estudo, em versão próxima à final, está marcada para o 1º Simpósio Brasileiro sobre Espécies Exóticas, que começa hoje (4) e vai até a próxima sexta-feira (7), na capital.
Para dar uma idéia do alcance da também chamada contaminação biológica, Deberdt cita uma estimativa, usada como referência, do professor David Pimentel, da Universidade de Cornell, segundo a qual essas espécies causam prejuízos de US$ 1,4 trilhão por ano no mundo, US$ 137 bilhões nos Estados Unidos e US$ 49 bilhões no Brasil. O coordenador revela que entre os invasores exóticos que provocam mais estragos no país estão o javali, o mexilhão-dourado, o caramujo-africano e espécies de pinheiro e de capins africanos.
O javali é considerado pela União Internacional de Conservação da NaturezaA expressão Natureza (do latim: natura, naturam, naturea ou naturae) aplica-se a tudo aquilo que tem como característica fundamental o facto de ser natural: ou seja, envolve todo o ambiente existente que não teve intervenção antrópica.
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uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo. O animal entrou no Brasil há dez anos pela fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul já existem vários focos de populações selvagens da espécie. "Esse animal ataca principalmente as plantações de milho e animais de criação e pode transmitir doenças para a fauna nativa", explica Deberdt. "Ele se adapta facilmente a qualquer tipo de ambiente e começa a proliferar rapidamente. No Rio Grande do Sul já causa problemas seriíssimos."
O coordenador do IbamaO Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, mais conhecido pelo acrônimo IBAMA, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). É o órgão executivo responsável pela execução da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pela lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, e desenvolve diversas atividades para a preservação e conservação do patrimônio natural, exercendo o controle e a fiscalização sobre o uso dos recursos naturais (água, flora, fauna, solo, etc). Também cabe a ele realizar estudos ambientais e conceder licenças ambientais para empreendimentos de impacto nacional.
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explica que as medidas de combate ao ataque de animais exóticos invasores ainda são muito recentes no país. "Nós ainda estamos implementando algumas técnicas de controle. Não é muito fácil controlar as espécies, pois elas já estão instaladas na natureza. Uma vez que o javali entrou, será muito difícil erradicá-lo, mas é possível controlar e diminuir os problemas provocados por ele." Na tentativa de reduzir a população de javalis no Rio Grande do Sul, o Ibama realizou nos últimos dez anos diversos estudos e autorizou a caça do animal. O estado é o único autorizado a praticar o abate.
Os caramujos-africanos, trazidos para o Brasil em 1980 como alternativa ao escargot, também já infestaram todo o país, segundo Deberdt. Em agosto o Ibama proibiu a criação do molusco e determinou que os criadores entreguem as matrizes às autoridades em 60 dias. Já a braquiária e o capim-gordura, também originários da ÁfricaA África é o terceiro continente mais extenso (atrás da Ásia e das Américas) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3 % da área total da terra firme do planeta. É o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de 900 milhões de pessoas, representando cerca de um sétimo da população do mundo, e 54 países independentes; apesar de existirem colônias pertencentes a outros países fora desse continente, principalmente ilhas, por exemplo Madeira, pertencente a Portugal, Ilha de Ascensão pertencente ao Reino Unido entre outras.
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, foram introduzidos no país ainda durante a colonização e hoje são cultivados para a pastagem de gado. Devido ao excesso de sementes que produzem e da facilidade com que elas se espalham, essas espécies estão substituindo a vegetação nativa da região onde são plantadas.
A lei de crimes ambientais brasileira impede que qualquer espécie animal seja introduzida no país sem parecer favorável do Ibama. No entanto, André Jean Deberdt avalia que a legislação ainda é deficiente. "Tem alguns pontos falhos, que podem ser melhorados, e normas que poderiam ser estabelecidas para melhorar o sistema preventivo de entrada e a implementação de mecanismos para evitar a proliferação das espécies que já estão no país. É preciso criar mecanismos legais para controlar as espécies invasoras".
(Érica Santana)
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