Daniel Dutra
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, afirmou nesta terça-feira (23) que está otimista com a política de erradicação do trabalho escravo e degradante no Brasil. "Todo Estado brasileiro transformou a luta contra o trabalho escravo numa tarefa nacional. Estamos trabalhando em locais onde o Estado tem uma presença muito fraca". Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que entre 25 e 40 mil de trabalhadores vivam em regime análogo ao de escravidão no Brasil.
O ministro participou da abertura da 2ª Jornada de Debates sobre Trabalho Escravo. O evento tem a participação de juízes, procuradores, advogados, representantes do governo e de organismos internacionais e estudantes.
Nilmário também destacou as ações do Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo lançado pelo governo federal no início de 2003. O plano prevê ações como: melhorar a estrutura administrativa da polícia, dos grupos de fiscalização móveis, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Federal, além de promover ações de conscientização.
O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, que também participou do evento, afirmou que o governo federal está realizando a maior ação ofensiva de fiscalização da história do país. Segundo o ministro, entre janeiro de 2003 e outubro de 2004 foram libertados 7.014 trabalhadores que viviam em regime de escravidão e mais de 260 mil foram formalizados no mercado de trabalho. "A determinação do presidente Lula é debater não apenas o trabalho escravo, mas todas as formas degradantes e também as informais de relação de trabalho. O compromisso é com a erradicação do trabalho escravo e não apenas do combate", ressaltou.
Ao final da cerimônia, a atriz Lucélia Santos e o ator Guiseppe Oristânio leram o texto Considerações gerais sobre a influência da escravidão na sociedade, de Joaquim Nabuco. "É doloroso ouvir nesse texto que a escravidão no Brasil está arraigada há tantos séculos, desde a época do descobrimento. O primeiro passo para erradicá-lo seria conquistar isso através de leis no Congresso Nacional e depois conquistar na sociedade a consciência do problema", afirmou Lucélia Santos, que na década de 70 fez o papel principal na novela Escrava Isaura.
(Daniel Dutra)