Movimento Nacional de Direitos Humanos e ANDI visitam a unidade e constatam que ela é melhor que o Caje, mas ainda precisa muito para cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente
O Cesami (Centro Sócioeducativo Amigoniano), mais conhecido como Caje II, é uma tentativa de implantar um modelo de medida sócioeducativa de privação de liberdade em uma estrutura prisional. Foi a essa conclusão que chegou o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho da Febem de São Paulo e do Movimento Nacional de Direitos Humanos, em visita à unidade na última quinta-feira, dia 1o de abril. Ariel conheceu o Centro a convite da Subsecretaria dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Foi acompanhado por um jornalista da ANDI. "Eles estão tentando adaptar um trabalho sócioeducativo dentro de uma estrutura prisional. Lá não tem quartos, tem celas", diz, se referindo aos recintos nos quais os adolescentes dormem (dois em cada uma), que têm menos de 10 metros quadrados, contando com um banheiro. O diretor da instituição, Manuel Antônio Parra Delgadilho, conhecido como padre Manolo, reconhece que o espaço é inadequado para o desenvolvimento de atividades sócioeducativas. "O ideal de uma unidade não é o que nós temos. A estrutura do prédio é muito fechada, concebida para deixar os meninos dentro dos quartos", explica.
"O importante é que não achamos sinais de agressão aos adolescentes", salienta Ariel. Dos jovens que conversaram com o advogado, nenhum se queixou de maus-tratos. De acordo com o padre Manolo, todos os 86 monitores responsáveis pela segurança passaram por um treinamento de 5 semanas nas quais aprenderam a trabalhar com os princípios pedagógicos da Congregação dos Amigonianos e discutiram o Estatuto da Criança e do Adolescente. Um deles, que deu um tapa em um dos internos, foi demitido. Os demais funcionários são 36 educadores com curso superior, 6 psicólogos, 6 assistentes sociais, 2 advogados, 5 monitores de oficinas, 1 médico, 1 dentista, 2 enfermeiros&n