O diretor do Instituto Bom Aluno do Brasil, Ozil Coelho Neto, obteve, no último mês, a adesão da Federação do Comércio do Paraná em auxiliar o Programa Bom Aluno que seleciona estudantes carentes de alto desempenho em escolas públicas e custeia seus estudos. O presidente da Fecomércio, Darci Piana, ofereceu cursos de educação profissional do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) aos calouros da Universidade Federal do Paraná oriundos do programa social.
Piana colocou-se à disposição para intermediar a busca da sustentabilidade do programa junto a empresários e outras entidades de classe. Esse foi o resultado da conversa sobre a nova parceria, que aconteceu no gabinete do reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, durante a visita de onze acadêmicos beneficiados pelo Bom Aluno. "Esse país só tem uma maneira de melhorar: pela educação", disse Piana.
"Os cursos em diversas áreas que estamos colocando à disposição deles são uma oportunidade de melhorar a qualidade do ensino e, quem sabe, de ajudar a sustentar as próprias famílias, já que esses estudantes vêm de uma situação financeira difícil", observou o dirigente da Fecomércio. No último vestibular da federal, 64% dos candidatos do programa que se inscreveram foram aprovados, percentual bem acima da média dos últimos doze anos, que é de 47%.
Embora algumas empresas já estejam patrocinando os estudos dos alunos, o Instituto Bom Aluno do Brasil ainda precisa de recursos mensais para manter os benefícios dos 264 integrantes. O dinheiro é necessário para a aquisição de livros didáticos, uniformes, transporte, cursos extraclasse, orientação psicopedagógica e outros quesitos. Desde o fechamento da BS Colway, em 2007, a empresa que criou o programa vem reduzindo o número de beneficiados e tentando encontrar parceiros na iniciativa privada.
"Queremos que os jovens cheguem ao seu destino, seja no ambiente acadêmico ou no mercado de trabalho, como profissionais dispostos a fazer mudanças sociais através de iniciativas como esta que estamos promovendo, dando oportunidade a quem tem potencial", comentou Ozil Coelho Neto, que agradeceu ao reitor a recepção aos integrantes do programa.
Coelho Neto também entregou uma carta ao reitor, solicitando a extensão das cotas sociais de vagas na UFPR aos participantes do Bom Aluno. "Vamos submeter a proposta imediatamente à pró-reitoria de graduação e, eventualmente a alguma avaliação do nosso Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), para ter um parecer técnico da questão", disse o reitor. "Dentro de um ou dois meses poderemos definir uma posição", afirmou Akel.
Hoje 51 estudantes ligados ao programa estudam na UFPR. Desde o fechamento da BS Colway, o Instituto Bom Aluno tem contado com várias empresas parceiras, entre elas a Vipal, Landys+Gir, Amil, Rocha Top, TBG, Racional Estruturas, Lume Tecnologia, Regional Imóveis, Prodata Fomento e Instituto HSBC de Solidariedade, que custeiam as despesas de 121 estudantes. Com o apoio da Fecomércio, os calouros da UFPR ligados ao Bom Aluno poderão escolher entre 703 cursos do Senac em quinze áreas profissionais para se aprimorarem. Atualmente as áreas ofertadas são Gestão, Comércio, Comunicação, Artes, Design, Imagem Pessoal, Turismo e Hotelaria, Conservação e Zeladoria, Saúde, Meio Ambiente, Informática, Idiomas e Tecnologia Educacional.