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Estudantes dizem que só deixarão ministério se governo adiar decisão sobre padrão digital da TV

Publicado em 09.03.2006 por Agência Brasil

Alessandra Bastos

Repórter da Agência Brasil


Brasília Cerca de sessenta estudantes mineiros devem passar a noite na porta do Ministério das Comunicações. Eles protestam contra a decisão do governo brasileiro de escolher um sistema estrangeiro para digitalizar as televisões brasileiras. O anúncio do sistema escolhido o americano, o europeu ou o japonês está previsto para amanhã (10).

Os estudantes de engenharia de Telecomunicações do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) dizem que só saem de lá com o compromisso do governo, por escrito, de que a escolha será adiada. "A gente só sai daqui com o cancelamento da decisão de amanhã", diz um dos líderes da manifestação, Bruno Henriques, de 23 anos.

Eles reivindicam que a sociedade civil possa participar da decisão. "O que a gente quer é que o ministro Hélio Costa abra um debate, porque só conversando com as indústrias o interesse público não está incluído. O governo está querendo tomar essa decisão sem um debate democrático", afirma Bruno Henriques.

Os manifestantes afirmam também que, há dois anos, professores do Inatel juntamente com outros 22 consórcios desenvolveram um sistema brasileiro que substituiria a importação por uma tecnologia própria. Thiago Bastos, de 24 anos, conta que o governo federal já investiu cerca de R$ 50 milhões nas pesquisas, e o dinheiro será "jogado fora. Além disso, o sistema geraria menor custo que a importação e traria um grande impacto para o desenvolvimento tecnológico do país".

Segundo os estudantes, uma das vantagens do sistema brasileiro é que ele permite a criação de novos canais e, segundo Bastos, "regionaliza a televisão".

"É um sistema que funciona e que não é discutido nem conversado para que as pessoas tenham conhecimento, como se a gente tivesse atrasado tecnologicamente", afirma o líder estudantil.

O protesto começou hoje às 15h30. Os estudantes trouxeram um manifesto para entregar ao ministro Hélio Costa. A viagem durou 22 horas e, ao chegar, os estudantes foram informados de que o ministro não estava em Brasília. Eles não conseguiram ser recebidos por um representante do ministério, que não se pronunciou sobre o assunto.

Na chegada dos manifestantes houve tumulto com os seguranças do prédio. Os seguranças tentaram tirar os manifestantes à força. Sete estudantes, unidos por uma corrente de ferro, conseguiram entrar e se acorrentar pelo lado de dentro à porta central do ministério. "A nossa função é manter a ordem. Eles estão aqui na frente atrapalhando o serviço", afirmou João da Silva Couto, um dos responsáveis pela segurança do prédio. Bárbara Martins, uma das acorrentadas, conta que foram "bastante empurrados pelos seguranças, mas não houve violência".

O prédio permanecerá aberto durante a madrugada já que a porta não pode ser fechada. Um pelotão da Polícia Militar faz a segurança do prédio. Uma barricada foi montada para evitar que outros estudantes entrem. Os policiais também não permitem que água ou comida seja entregue aos acorrentados.

No fim da tarde, o Instituto enviou um comunicado à imprensa ressaltando que o protesto não estava sendo feito pelo órgão, mas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). Nesta segunda-feira, o ministro disse que os japoneses são os mais interessados em realizar parcerias com o Brasil, ao contrário dos americanos e europeus. Ontem (8), o presidente Lula negou que o governo já tenha decidido qual o padrão de TV digital que será adotado pelo Brasil.

(Alessandra Bastos)


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