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Estudo aponta impactos socioeconômicos de 15 anos de transgênicos na Argentina

Publicado em 30.11.2011 por Maxpress

Desde a sua introdução em 1996, a biotecnologia agrícola gerou US$ 72,64 bilhões de dólares e criou 1,8 milhões de postos de trabalho no país

A Argentina é um dos países líderes na utilização de organismos geneticamente modificados (GM) desde a adoção da soja tolerante ao glifosato em 1996. Em 2010, o país atingiu a marca de 22,9 milhões de hectares plantados com soja, milho e algodão GM, ocupando, assim, o terceiro lugar no ranking dos transgênicos atrás dos Estados Unidos e do Brasil.

De acordo com um recente estudo realizado pelo pesquisador Eduardo Trigo (Fundação Forges e Grupo CEO), o benefício bruto gerado por este processo de adoção para o período 1996-2010 atinge US$ 72,64 milhões.

Por culturas

No caso da soja tolerante ao glifosato, os benefícios somam US$ 65,435 milhões, sendo que, destes, US$ 3,518 milhões atribuíveis à redução nos custos de produção (principalmente devido à redução do plantio indireto e aplicações de herbicidas seletivos exigido pelas por variedades convencionais). Vale lembrar que, na Argentina, praticamente toda a área plantada de soja é transgênica.

Desse total de benefícios, 72,4% foram recebidos pelos próprios agricultores, 21,2% pelo governo recolhidos por meio de impostos de exportação e outros tributos e 6,4% para os fornecedores de tecnologia (sementes e herbicidas).

Já no caso do milho (variedades resistentes a insetos e tolerantes a herbicida), a geração de benefícios foi de US$ 5,375 milhões, assim distribuídos: 68,2% para os produtores, 11,4% para governo e 20,4% para fornecedores de tecnologia. Hoje, a lavoura de milho GM no país responde por 86% da produção total da cultura.

Finalmente, os benefícios totais para o algodão GM (resistente a insetos e tolerante a herbicidas) atingiram US$ 1,834 milhões, sendo 96% para os agricultores e 4% destinados aos fornecedores de tecnologia (sementes e herbicidas).

Benefícios sociais

O pesquisador Eduardo Trigo também avaliou o impacto que as tecnologias GM tiveram na geração de empregos. Ao longo de 15 anos, a criação de mais de 1,8 milhão de postos de trabalho pode ser atribuída ao uso de tecnologias GM na agricultura argentina.

O levantamento aponta ainda alguns dados ambientais relacionados às culturas GM, com ênfase na sinergia especial entre a expansão dessas culturas e nas práticas de plantio direto e de seu impacto positivo na estrutura do solo e o uso eficiente da energia.

Todos os dados do estudo foram estimados usando-se o SIGMA, um modelo matemático desenvolvido pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), que utiliza números do Perfil Tecnológico do Setor Agrícola da Argentina (INTA), com informações adicionais fornecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca, pela ArgenBio, pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) e pela FAO.

Segundo a diretora-executiva da ArgenBio, Gabriela Levitus, o processo de adoção da biotecnologia na agricultura argentina foi, sem dúvida, muito bem-sucedido, não apenas porque os produtos têm sido competitivos e os preços internacionais têm sido bons, mas também porque, quando a tecnologia foi colocada à disposição, o país estava pronto para adotá-la. “Havia melhoristas de primeira classe treinados e agricultores inovadores e havia a vontade política, o que resultou na criação de um sistema de regulamentação pioneiro, que garantiu a adoção segura de culturas GM em nosso país desde o início”, enfatiza.

O estudo completo, em espanhol ou inglês, está disponível em www.argenbio.org

Sobre o autor - Eduardo Trigo é pesquisador sênior independente da Fundação Forges e do Grupo CEO, ambas dedicadas à pesquisa e à orientação para o setor agrícola.

Sobre a ArgenBio O Conselho Argentino para a Informação e Desenvolvimento da Biotecnologia é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é tornar disponíveis informações sobre biotecnologia, contribuindo para a sua compreensão através da educação e promovendo o seu desenvolvimento.

Sobre o CIB - O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), criado no Brasil em 2001, é uma organização não-governamental sem fins lucrativos, cujo objetivo é divulgar informações técnico-científicas sobre biossegurança, biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema. Na Internet, você pode nos conhecer melhor por meio do site www.cib.org.br.

O Conselho desenvolve suas atividades com o suporte de profissionais ligados aos principais centros de pesquisa, universidades e institutos de cunho científico do País. O grupo hoje é composto por mais de 100 profissionais que atuam em campos distintos do conhecimento científico. Desta forma, o CIB se consolidou como fonte para jornalistas, pesquisadores, consumidores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia e biossegurança.

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