O movimento de Responsabilidade Sócio-Empresarial no Brasil muda de fase, amadurece ao completar dez anos. Agora estamos num momento decisivo, um marco na história do RSE no país, afirmou Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos, na coletiva de imprensa de balanço do evento, que termina hoje, sexta-feira, no Anhembi. Para ele, os rumos do Instituto, a partir do seu décimo aniversário, devem ir além das ações em prol da conscientização das empresas de seu papel socialmente responsável para a constituição de um mercado socialmente responsável.
É exatamente a demanda e o reconhecimento do mercado que atribui valor real e incentiva o comportamento socialmente responsável das empresas, preparando a sociedade para ser mais justa e inclusiva, na análise de Paulo Itacarambi. O critério da ética e da sustentabilidade deve permear toda a cadeia de valor, todos os interlocutores das empresas, para realmente promover mudanças benéficas para toda a sociedade, afirmou o vice-presidente do Ethos. E completou: As empresas têm de incorporar às suas ações a consciência de que sua verdadeira missão, seu grande objetivo, é engrandecer a vida das pessoas, aumentar o sentimento alheio de pertencimento e de inclusão. Nesse processo, o lucro é necessário, mas ele não pode comprometer esse grande objetivo empresarial, Preço, qualidade e sustentabilidade é o tripé que resume a fórmula do êxito para as empresas contemporâneas.
A décima edição da Conferência Internacional Ethos 2008 foi avaliada como um grande sucesso. Cerca de 1700 participantes debateram com 55 palestrantes, brasileiros e internacionais, temas de relevância para a construção dessa sociedade mais justa e sustentável, como Relações de trabalho, Ética e Transparência, Liderança, Segurança Pública, até assuntos mais específicos, como a Amazônia Sustentável, tecnologias sustentáveis da Construção Civil, diesel mais limpo. Aliás, a respeito do painel sobre esse último assunto, Paulo Itacarambi ressaltou a participação da Petrobrás no debate sobre a qualidade de seu combustível, tomando o posicionamento aberto e democrático como exemplo de postura a ser adotada pelas empresas que querem ser socialmente responsáveis: É esse tipo de comportamento que esperamos das empresas socialmente responsáveis: elas não têm de ser perfeitas, mas têm de enfrentar dilemas e problemas buscando soluções para a sustentabilidade a sua própria e a da sociedade, o que é a mesma coisa, esclareceu.
Pela primeira vez, a Conferência Internacional Ethos resultou na formulação de um documento com mais de 400 propostas, que será disponibilizado no site do Ethos para receber contribuições das empresas e entidades. Essas propostas, reformuladas, serão discutidas com os associados Ethos nas rodadas de debates regionais que o Instituto promove nos Estados brasileiros a partir de junho, começando pelo Paraná. A partir daí, o Ethos discutirá a melhor forma de encaminhamento dessas propostas ao Poder Público, já que o Estado também deve ser envolvido na discussão de responsabilidade sócio-empresarial a partir do momento em que se almeja uma sociedade mais justa e sustentável.
Aliás, o Instituto Ethos já está trabalhando nesse âmbito, ao organizar, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos, um Encontro de President es, com o presidente Lula e empresários, destacou Itacarambi. O encontro, que deve acontecer ainda em junho, em São Paulo, pretende discutir o que Governo e empresariado devem fazer para colocar os Direitos Humanos no mesmo patamar já atingido pela Economia Brasileira.
Informações completas sobre a 10ª conferência Internacional do Instituto Ethos no endereço: http://www.ethos.org.br/ci2008/. =http://www.kadport.c