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Experiências de outros países podem ajudar no combate à violência no Brasil, diz pesquisadora

Publicado em 28.09.2007 por Agência Brasil

Rio de Janeiro -

Aproveitar idéias de países que enfrentam conflitos armados pode ajudar no combate à violência no Brasil. Essa é a sugestão da pesquisadora da área internacional da organização não-governamental Viva Rio, Rebeca Pérez.

“A dificuldade de se diferenciar situação de paz e guerra e grupos armados de grupos do narcotráfico abre uma oportunidade para a gestão de contextos que mesmo não sendo considerados como guerra, apresentam importantes níveis de violência”, afirma Pérez. “O brasil é um caso paradigmático dessa situação ao se tratar de um país em paz mas com níveis de violência superiores ao da maioria das guerras atuais”, completa.

A pesquisadora participou hoje (28) do seminário Desmobilização, Reintegração e Segurança com Cidadania, promovido pela Viva Rio com apoio do Ministério da Justiça e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O encontro reuniu cerca de 50 pessoas de vários países, como Colômbia, Nicarágua, Haiti, Estados Unidos e Espanha, que apresentaram experiências de combate e prevenção à violência.

Segundo dados da Universidade de Barcelona apresentados pela Viva Rio, cerca de 1,3 milhão de pessoas em todo o mundo foram atendidas por programas governamentais de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) voltados para populações envolvidas em conflitos armados. Os dados, referentes à 2006, mostram ainda que 22 países desenvolvem esse tipo de programa. Eles duram, em média, três anos e meio e custam US$1,57 dólar por pessoa. De acordo com a pesquisa realizada no ano passado, as crianças representam cerca de 10% dos atendidos.

Durante o encerramento do seminário, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que vários projetos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), lançado pelo governo federal, já foram testados no Brasil ou em outros países, especialmente na América Latina.

"O programa é uma grande coleta de experiências positivas que foram transformadas em um projeto consistente", disse o ministro. "Há experiências muito positivas na Colômbia e em cidades brasileiras que colocam a relação comunitária como um elemento integrante da segurança pública, combinando ações policias e de inteligência com a participação da comunidade e ênfase nos jovens", explica.

Para o coordenador do Programa de Atenção aos Ex-Combatentes de Bogotá, Dario Villamizar, investir em educação e saúde pode ajudar a desarmar e reintegrar pessoas envolvidas em conflitos armados. Segundo ele, das 45 mil pessoas que abandonaram as guerrilhas e grupos paramilitares nos últimos cinco anos na Colômbia, apenas 4% voltaram a atuar nesses grupos armados.

"Ainda concedemos ajuda financeira no valor mensal de US$ 7 e uma autorização de 90 dias para a utilização de qualquer hospital da rede de Bogotá. Além dos programas relacionados à cultura e esporte", detalhou Villamizar.

O coordenador que também participou do seminário disse ainda que os ex-integrantes das guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias e do Exército de Libertação Nacional, além dos grupos paramilitares, têm entre 18 e 26 anos e apenas três anos de estudo. Cerca de 95% deles são oriundos de áreas rurais.



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