A convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) define o tráfico e o plantio de entorpecentes como uma das piores formas de trabalho infantil. O Brasil é um dos países que aderiram à convenção e se comprometeu a erradicar o quanto antes a realização desta atividade por crianças e adolescentes. O uso de mão de obra infanto-juvenil nesta atividade é feito em larga escala para o transporte de pequenas quantias de droga e dinheiro. No entanto, a dificuldade em tirar os jovens do tráfico é muito grande, pela facilidade que eles têm em conseguir dinheiro ou ainda pela represália de traficantes.
Situação no Paraná
No estado, o número de crianças e adolescentes envolvidos com o tráfico de entorpecentes cresceu 133% entre 2005 e 2006. Em Foz do Iguaçu-PR, uma das principais rotas do tráfico de drogas no estado, a quantidade de maconha apreendida com adolescentes em 2005 foi de 1,4 toneladas e em 2006, 4,1 toneladas. Desde janeiro deste ano, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 3,5 toneladas de drogas em postos próximos à cidade. Entre as pessoas que transportavam estas substâncias, 30% tinham menos de 18 anos de idade. Nos 85 casos de tráfico de drogas registradas na delegacia do município, 25 eram de responsabilidade de jovens. Entre os 700 meninos que passaram pela delegacia de Foz do Iguaçu, três em cada dez tinha envolvimento com o tráfico.
O que leva o adolescente ao tráfico?
O livro Diagnóstico Rápido sobre Crianças no Narcotráfico, produzido pela OIT, apresenta algumas informações sobre o perfil do adolescente que estão envolvidas com o tráfico de drogas:
Perfil
A baixa escolaridade é uma das principais características dos jovens envolvidos com o narcotráfico. Grande parte deles pertence às famílias mais pobres das favelas. Além disso, estes jovens são em sua grande maioria negra ou parda e casam-se mais cedo do que a média dos adolescentes brasileiros.
Ingresso no tráfico
São vários os fatores que levam os jovens a entrarem no tráfico, que variam desde atributos subjetivos pessoais até a rede social à qual pertencem. Os fatores são determinados pela forma com que se relacionam com eles mesmos e com suas famílias, a vizinhança, a igreja, a escola, entre outros. Se esses diversos relacionamentos são abalados, principalmente o familiar, há mais chances da criança entrar para o narcotráfico. Outro motivo para o ingresso na atividade é o status que a atividade traz na comunidade onde vive, os jovens querem tanto ser bem sucedidos na vida amorosa quanto pertencer a algum grupo pelo qual dêem a própria vida.
As oportunidades de emprego para menores de idade são poucas, e quando existem, são mal remuneradas. No tráfico, os jovens conseguem receber uma quantia maior de dinheiro e comprar bens que normalmente não poderiam adquirir. Mesmo assim, manter menores trabalhando tem um baixo custo para os traficantes, e quando esses jovens são presos, o tempo da pena é mais curto. Em alguns casos o ingresso no tráfico acontece pela busca de emoções fortes, com bastante adrenalina.
Deixar a atividade
Apesar do grande número de adolescentes envolvidos na venda de narcóticos, grande parte deles revela a vontade de deixar esta atividade. O principal desejo destes jovens é comprar uma casa fora da comunidade onde moram. Para eles, a forma mais fácil de deixar o narcotráfico é acumular uma grande quantia de dinheiro, o que permitiria que pudessem mudar de estado e começar a exercer outra atividade. Entretanto, este acúmulo de dinheiro acaba se tornando quase impossível, devido à falta do hábito de economizar e pelas extorsões a que são submetidos. Além disso, uma das principais razões para a permanência dos jovens nesta atividade é a ligação com o grupo e a amizade com os componentes e a pressão ocasionada pelo fato de se tornarem conhecidos dos grupos rivais e da polícia.
Alternativas para combater o tráfico
Para que o envolvimento do narcotráfico fosse evitado, deveria existir um maior investimento na