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Feira de Economia Solidária Propõe Novas Formas de Organização

Publicado em 07.01.2008 por Pauta Social

A 4ª Feira Estadual de Economia Solidária e Agricultura Familiar ocorreu em Vitória (ES), entre os dias 13 e 16 de dezembro. O evento, organizado pelo Fórum de Economia Popular Solidária (Feps), teve por objetivo divulgar o trabalho realizado por cerca de 120 grupos de economia solidária de todo o estado, bem como estimular a comercialização desses tipos de produtos. Iniciativas que trabalham com confecção de roupas, artesanato, construção civil, pesca, reciclagem, produtos orgânicos, limpeza e higiene pessoal, culinária, marcenaria e arte afrobrasileira e indígena puderam ser conhecidas nessa atividade.

A feira surgiu em 2004 para que os grupos de economia solidária que já existiam pudessem comercializar os seus produtos. Mas desde 2001 esses grupos já se articulavam no Fórum, explicou Galdene Santos, da coordenação da Feira. O Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), a Cáritas e alguns grupos de economia solidária do município da Serra foram os principais impulsionadores da criação do Fórum, que realizou atividades de formação e ajudou a organizar grupos de economia solidária no estado.

A economia solidária diferencia-se do modo de produzir no capitalismo por duas questões principais: a organização coletiva do trabalho e a prática da auto-gestão. Os grupos de economia solidária decidem tudo coletivamente desde a produção até a comercialização dos produtos, afirmou Galdene.

Outros princípios da economia solidária são a valorização do trabalho e do ser humano, o cuidado com o meio ambiente e o consumo necessário e consciente. Por isso, os produtos encontrados na Feira são orgânicos, naturais, reciclados ou feitos de materiais reaproveitados.

Atualmente, existem cerca de 600 grupos de economia solidária no Espírito Santo. No entanto, eles encontram muitas dificuldades para se manter. Além de o grupo ter muito trabalho para conseguir realizar todas as fases da produção e comercialização, ainda há o entrave de disputar espaço com o mercado capitalista, que é muito mais estruturado, explicou Galdene.

A fim de conseguir superar esse tipo de dificuldade é que o Feps está pensando em atividades para além da Feira, que ocorre apenas uma vez durante o ano. Ampliar a formação dos grupos nos princípios da economia solidária; exigir seu reconhecimento legal; estimular a finança solidária, por meio de bancos comunitários; e incentivar formas de comercialização, consumo e produção são os desafios apontados pelo Fórum Brasileiro de Economia Solidária e também pelo Feps.

Entre as experiências de economia solidária apresentadas durante a Feira, destaca-se a do Banco Comunitário do Morro de São Benedito, em Vitória, o Banco BEM. Criado em 2005 por iniciativa dos próprios moradores da comunidade, o banco possui linhas de empréstimos e também uma moeda própria, que circula por 8 bairros periféricos de Vitória.

Havia diversos grupos de pequenos empreendimentos no bairro e era difícil conseguir empréstimos nos bancos convencionais para impulsionar os negócios. Então, os grupos foram pegando empréstimos entre si. Já tínhamos, de certa forma, um banco comunitário e não sabíamos, contou Leonora Mol, uma das coordenadoras do Banco BEM.


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