Lisboa (Portugal), 10/11/2002 (Agência Brasil - ABr) - O presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou o jantar de sexta-feira (8) no Palácio da Alvorada para conversar com Luiz Inácio Lula da Silva e acabar com o mal entendido sobre a indicação dos 17 embaixadores brasileiros que devem assumir antes da posse em 1º de janeiro. Ao fazer uma comparação com as Forças Armadas, Fernando Henrique lembrou que a troca de postos do Itamaraty é algo regular e que não foi feito antes em razão do recesso parlamentar durante as eleições.
"O que eu disse ao presidente Lula foi o seguinte: "Olha, o Itamaraty é como as Forças Armadas, é profissionalizado. Todo ano há remanejamento de cargos, como nas Forças Armadas. Eu não sei nem o nome de todos os generais das Forças, e é bom que não saiba, porque é uma questão profissionalizada da burocracia, na qual há os méritos para isso. Por que houve o acúmulo? Porque no segundo semestre o Senado não funcionou", disse.
Fernando Henrique reconheceu, no entanto, que é natural que o presidente eleito tenha se manifestado preocupado com o assunto uma vez que há várias embaixadas brasileiras com grande preocupação política com o cargo. "É natural que o governo do presidente eleito queira conversar comigo e eu estou pronto a conversar", afirmou. Entre as embaixadas consideradas "sensíveis", Fernando Henrique destacou os Estados Unidos, a Argentina, as européias, sobretudo a de Bruxelas e Genebra, além dos postos da América do Sul.
No jantar, o presidente ainda conversou com Lula sobre outro assunto que está sem resposta: a residência oficial do próximo presidente do país. Fernando Henrique - que optou por viver os oito anos de seus dois mandatos no Palácio da Alvorada - enumerou as qualidades da obra de Oscar Niemeyer para Lula na tentativa de mostrar os benefícios de permanecer no Palácio. "Eu disse a ele que o Alvorada é claro, aberto e alegre. Não tem muita privacidade, é claro, mas como não há nada o que esconder, não há problema nisso", afirmou o presidente.
Apesar da conversa, Fernando Henrique disse que, de fato, quem deve decidir onde será a residência do próximo presidente será a futura primeira dama, Marisa Letícia Lula da Silva. "Nem ele (Lula) sabe (onde vai morar). A Marisa vai ver melhor", afirmou.(Raquel Ribeiro)