Estudo elaborado pela federação, IFPE revela que 18,1% da produção foi destinada ao mercado internacional; indústria Química bate recorde
O Índice Firjan de Produção Exportada (IFPE), que mede a proporção de exportações sobre o total da produção da Indústria de Transformação, apontou que o estado do Paraná atingiu 18,1% em 2011, ficando praticamente estável frente a 2010 (18%). Na indústria paranaense, produção e exportações apresentaram taxas de crescimento equivalentes em 2011, 5,2% e 5,9%, respectivamente. Ainda assim, o Paraná registrou a maior expansão da atividade produtiva em comparação com os outros quatro estados analisados pelo indicador: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O IFPE é calculado a partir dos volumes na produção da Indústria da Transformação e nas vendas para o exterior, sem considerar variações de preços e comércio de produtos básicos, como minério de ferro, soja e petróleo. O principal objetivo do indicador é destacar a inserção da Indústria de Transformação no cenário internacional.
A indústria Química paranaense atingiu nível recorde no IFPE-PR no ano passado: quase 1/3 (32,4%) da produção estadual foi exportada. Destaque para as exportações de adubos e fertilizantes.
Ao lado do setor Químico, o crescimento das exportações da indústria de Produtos alimentícios, que subiu de 33,1% em 2010 para 35,1% em 2011, foi crucial para conter a trajetória de queda do IFPE do Paraná. Nesse sentido, merecem destaque as vendas externas de bagaço de soja.
Na contramão, registraram recuo os segmentos de Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (que caiu de 35,5% em 2010 para 23,9% em 2011) e de Veículos automotores (de 22,3% em 2010 para 17,5% em 2011). A queda deveu-se principalmente a menores exportações de condutores elétricos e automóveis populares.
IFPE apresentou crescimento no cenário nacional, atingindo patamar de 22%
O IFPE-Brasil também registrou alta em 2011. O índice atingiu 22%, revertendo o quadro de queda do ano anterior, quando desceu a 21,6%, menor nível desde 2002.
Impulsionado pelo novo complexo siderúrgico fluminense, o setor de Metalurgia foi um dos principais responsáveis pelo avanço do índice, com 33,8% de sua produção absorvida pelo mercado internacional.
Destaque também para o crescimento em Máquinas e equipamentos (21,1%) e Veículos automotores (17,4%), estimulado pelo incremento nas vendas de tratores e automóveis. Chamou atenção ainda o desempenho da indústria de Artefatos de couros, com 69,1% de sua produção voltada ao mercado externo, além do avanço da indústria Química. O setor atingiu em 2011 seu maior IFPE desde 1996, com 17,6% de sua produção vendida para fora do país.
O crescimento revela que o setor industrial brasileiro buscou oportunidades no exterior em um ano de arrefecimento da economia nacional, em que o desempenho do Produto Interno Bruto brasileiro não acompanhou a média mundial. Enquanto o PIB do Brasil avançou 2,9%, o de outros países cresceu, em média, 3,8% no ano passado, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional.
Sobre o IFPE
O índice classifica os setores industriais em três categorias, de acordo com o volume da produção industrial exportada:
Baixo IFPE, quando menos de 10% da produção é destinada à exportação, caso de segmentos como Artigos de mobiliário (8,2%) e Minerais não metálicos (7,3%).
Médio IFPE, quando de 10% a 30% da produção é destinada à exportação, caso da indústria Têxtil (11%); Química (17,6%); Bebidas (20,2%) e Produtos Alimentícios, único segmento a apresentar pequena retração em relação a 2010, caindo de 30,5% para 29,5%.
Alto IFPE, quando mais de 30% da produção industrial é destinada à exportação, caso da indústria de Metalurgia (33,8%); Couros (69,1%) e Celulose e papel (41,7%), único segmento a apresentar leve queda, saindo de 42% em 2010 para 41,7%
Com exceção das indústrias de Produtos alimentícios e de Celulose e papel, todas demais indústrias classificadas com Médio e Alto IFPE incrementaram a parcela da sua produção destinada ao exterior em 2011. Em contraste, todos os segmentos industriais com Baixo IFPE recuaram por ser um grupo composto por setores intensivos em trabalho e matérias-primas ou de alta tecnologia, onde o Brasil sofre forte concorrência e apresenta baixa competitividade, a exemplo da indústria de Confecção, vestuário e acessórios (1,7%), que há quatro anos vem registrando mínimas históricas em seu volume de exportações.
Histórico do IFPE
Até os anos 2000, quando poucos setores nacionais da indústria possuíam competitividade internacional, o Brasil exportava, em média, 15% de sua produção industrial. Na década seguinte, o patamar do IFPE saltou para casa dos 20%, não só pela desvalorização cambial no período como também pela diversificação da pauta exportadora e pela conquista de novos mercados. O recorde do IFPE foi registrado em 2005, quando 25% da produção industrial brasileira foi destinada ao mercado externo.
A partir de então, a conjuntura de solidificação da economia nacional e ascensão da China como concorrente direto da indústria no país levou os empresários a direcionar sua produção para o mercado interno. Esse posicionamento refletiu-se numa curva descendente para o IFPE, que só se inverteu em 2009 com a crise financeira internacional. Em 2010, a economia brasileira registrou o maior crescimento econômico em 24 anos (7,5%), impulsionado pela produção industrial, que avançou mais de 10%.
O Índice Firjan de Produção Exportada (IFPE) pode ser baixado no site http://ow.ly/8WUmC
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