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Firjan: índice de exportação do Rio Grande do Sul bate recorde em 2011

Publicado em 08.02.2012 por Maxpress

O Índice Firjan de Produção Exportada (IFPE), que mede a proporção de exportações sobre o total da produção da Indústria de Transformação, atingiu patamar recorde no estado do Rio Grande do Sul em 2011: 32%. Em comparação com o resto do país, o estado continua sendo o que destina a maior parcela de sua produção industrial para o mercado externo. No ano passado, o IFPE-RS cresceu 3,2% frente a 2010, expansão significativamente superior à média brasileira (0,4%) e justificada pelos aumentos de 12,9% nas exportações e de 1,7% na produção industrial.

O IFPE é calculado a partir dos volumes na produção da Indústria da Transformação e nas vendas para o exterior, sem considerar variações de preços e comércio de produtos básicos, como minério de ferro, soja e petróleo. O principal objetivo do indicador é destacar a inserção da Indústria de Transformação no cenário internacional.

O desempenho do indicador na indústria gaúcha de Produtos alimentícios também foi recorde no ano passado, com mais de 45% da produção estadual absorvida pelo mercado internacional. As exportações do setor aumentaram 27,9% devido a vendas de bagaço de soja e arroz. Com grande peso na estrutura produtiva gaúcha, o crescimento do segmento foi fundamental para o incremento do índice estadual do Rio Grande do Sul.

Também em nível recorde, a indústria gaúcha de Artigos de borracha e plástico destinou quase 25% da produção estadual para o exterior. Destaque para as vendas de pneus para motocicletas. A indústria de Veículos automotores também aumentou sua produção exportad, diante de maiores vendas de automóveis populares e reboques: subiu sua participação de 12,1% em 2010 para 16,5% em 2011.

Na contramão, recuaram os segmentos de Artefatos de couro (de 48,5% em 2010 para 46,1% em 2011) e Artigos de mobiliário (de 19% para 16,8%), principalmente pela retração das exportações de calçados e móveis de madeira, respectivamente. O mercado externo foi destino de apenas 2% das Bebidas produzidas no Rio Grande do Sul, menor nível da série histórica, iniciada em 1996, diante da maior demanda interna por vinhos.

IFPE apresentou crescimento no cenário

nacional, atingindo patamar de 22%

O IFPE-Brasil também registrou alta em 2011. O índice atingiu 22%, revertendo o quadro de queda do ano anterior, quando desceu a 21,6%, menor nível desde 2002.

Impulsionado pelo novo complexo siderúrgico fluminense, o setor de Metalurgia foi um dos principais responsáveis pelo avanço do índice, com 33,8% de sua produção absorvida pelo mercado internacional.

Destaque também para o crescimento em Máquinas e equipamentos (21,1%) e Veículos automotores (17,4%), estimulado pelo incremento nas vendas de tratores e automóveis. Chamou atenção ainda o desempenho da indústria de Artefatos de couros, com 69,1% de sua produção voltada ao mercado externo, além do avanço da indústria Química. O setor atingiu em 2011 seu maior IFPE desde 1996, com 17,6% de sua produção vendida para fora do país.

O crescimento revela que o setor industrial brasileiro buscou oportunidades no exterior em um ano de arrefecimento da economia nacional, em que o desempenho do Produto Interno Bruto brasileiro não acompanhou a média mundial. Enquanto o PIB do Brasil avançou 2,9%, o de outros países cresceu, em média, 3,8% no ano passado, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional.

Sobre o IFPE

O índice classifica os setores industriais em três categorias, de acordo com o volume da produção industrial exportada:

Baixo IFPE, quando menos de 10% da produção é destinada à exportação, caso de segmentos como Artigos de mobiliário (8,2%) e Minerais não metálicos (7,3%).

Médio IFPE, quando de 10% a 30% da produção é destinada à exportação, caso da indústria Têxtil (11%); Química (17,6%); Bebidas (20,2%) e Produtos Alimentícios, único segmento a apresentar pequena retração em relação a 2010, caindo de 30,5% para 29,5%.

Alto IFPE, quando mais de 30% da produção industrial é destinada à exportação, caso da indústria de Metalurgia (33,8%); Couros (69,1%) e Celulose e papel (41,7%), único segmento a apresentar leve queda, saindo de 42% em 2010 para 41,7%

Com exceção das indústrias de Produtos alimentícios e de Celulose e papel, todas demais indústrias classificadas com Médio e Alto IFPE incrementaram a parcela da sua produção destinada ao exterior em 2011. Em contraste, todos os segmentos industriais com Baixo IFPE recuaram por ser um grupo composto por setores intensivos em trabalho e matérias-primas ou de alta tecnologia, onde o Brasil sofre forte concorrência e apresenta baixa competitividade, a exemplo da indústria de Confecção, vestuário e acessórios (1,7%), que há quatro anos vem registrando mínimas históricas em seu volume de exportações.

Histórico do IFPE

Até os anos 2000, quando poucos setores nacionais da indústria possuíam competitividade internacional, o Brasil exportava, em média, 15% de sua produção industrial. Na década seguinte, o patamar do IFPE saltou para casa dos 20%, não só pela desvalorização cambial no período como também pela diversificação da pauta exportadora e pela conquista de novos mercados. O recorde do IFPE foi registrado em 2005, quando 25% da produção industrial brasileira foi destinada ao mercado externo.

A partir de então, a conjuntura de solidificação da economia nacional e ascensão da China como concorrente direto da indústria no país levou os empresários a direcionar sua produção para o mercado interno. Esse posicionamento refletiu-se numa curva descendente para o IFPE, que só se inverteu em 2009 com a crise financeira internacional. Em 2010, a economia brasileira registrou o maior crescimento econômico em 24 anos (7,5%), impulsionado pela produção industrial, que avançou mais de 10%.

O Índice Firjan de Produção Exportada (IFPE) pode ser baixado no site http://ow.ly/8WUmC

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