Foto: Miriam Zomer/Alesc
Lançamento da Feira ocorreu dia 13 de outubro
Entre os dias 30 de outubro e 01 de novembro, ocorrerá em Florianópolis a Feira Sustentável 2009, um evento que reunirá no mesmo lugar empreendimentos da Agricultura Familiar, Reforma Agrária, Economia Solidária, Pesca e Energias Renováveis. Além da exposição e venda de produtos, a Feira terá uma programação de palestras e debates sobre os temas. O evento ocorre no Centrosul e vai reunir agricultores familiares, assentados da reforma agrária e quilombolas, organizações, movimentos sociais do campo, empreendimentos de economia solidária, consumidores, empresários, técnicos e pesquisadores, além de representantes dos órgãos públicos, autoridades e parlamentares do Estado de Santa Catarina.
São 250 expositores, distribuídos em 150 estandes e feiras com cerca de 1000 participantes de todo o Estado, além de palestrantes e debatedores convidados para eventos paralelos de debates para mostrar como a produção, a comercialização e o consumo tem a ver com o desenvolvimento sustentável. O evento está sendo realizado com patrocínio do Incra, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Pesca e Aquicultura, Ministério da Cultura, Banco do Brasil, Tractebel, IPHAN, Sebrae e Itaipu Binacional. Várias entidades estão apoiando a realização: Epagri, Cepagro, Eletrosul, Instituto Ideal, Instituto Primeiro Plano, Via Campesina, Fetraf-Sul, Fetaesc, Instituto Catarinense de Desenvolvimento Social, Instituto Marista de Solidariedade, Movimento de Mulheres Camponesas, Fórum Brasileiro e Fórum Catarinense de Economia Solidária, Projeto Nacional de Comercialização Solidária e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
No primeiro dia do evento os participantes da Feira o público em geral poderão assistir um show com o cantor e compositor Almir Sater, conhecido pela sua habilidade com a viola nas interpretações de músicas do cancioneiro regional-popular. Nos dois dias seguintes uma extensa atividade cultural, com apresentações locais, regionais, estaduais, faz parte da programação oficial que tem como objetivo a promoção de produtos e tecnologias relacionados à agricultura familiar, da economia solidária e energias renováveis, além de ser um espaço de valorização da cultura regional catarinense.
A Agricultura Familiar desempenha um relevante papel socioeconômico no Brasil e em Santa Catarina. Além de produzir uma grande parte dos alimentos para os brasileiros, assegura a vida de milhares de famílias no campo. É economicamente viável, socialmente justa e integrada ao meio ambiente. O último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o setor emprega quase 75% da mão-de-obra no campo e é responsável pela segurança alimentar dos brasileiros, produzindo 70% do feijão, 87% da mandioca e 58% do leite consumidos no país. Este Censo Agropecuário 2006 trouxe uma novidade: pela primeira vez, a agricultura familiar brasileira é retratada nas pesquisas feitas pelo IBGE. Apesar de ocupar apenas um quarto da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (ou R$ 54,4 bilhões) desse total. Mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do País, gerando os produtos da cesta básica consumidos pelos brasileiros. O valor bruto da produção na agricultura familiar é de 677 reais por hectare/ano.
A reforma agrária é uma política pública do Governo Federal com o objetivo de criar oportunidades de emprego e renda no campo de forma sustentável. Pela democratização do acesso à terra, busca atender aos princípios de cidadania e justiça social, tendo sempre como meta a segurança alimentar, a qualidade de vida das famílias assentadas e o aumento da oferta de alimentos de qualidade para as cidades. Para alcançar a missão de realizar a reforma agrária, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), após o assentamento definitivo das famílias, desenvolve uma série de programas e ações que proporcionam aos beneficiários todas as condições para a permanência no campo, garantindo o seu desenvolvimento econômico e social, com a preservação dos recursos naturais renováveis. Em Santa Catarina, o Incra implantou e desenvolve 140 projetos de assentamento, ampliando a oferta de emprego e renda para 5.588 famílias. O Incra efetua ainda a regularização de territórios quilombolas, corrigindo injustiças históricas, e desenvolve um amplo programa de licenciamento ambiental e de educação ambiental em todos os Projetos de Assentamento implantados. Essas são apenas algumas das ações realizadas pelo Incra.
Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar ninguém, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. É uma prática regida pelos valores de autogestão, democracia, cooperação, solidariedade, respeito à natureza, promoção da dignidade e valorização do trabalho humano, tendo em vista um projeto de desenvolvimento sustentável global e coletivo. Existem milhares de empreendimentos em todo o país, produzindo, vendendo, comprando solidariamente, gerando trabalho e renda. Em Santa Catarina existe o Fórum Catarinense de Economia Solidária, principal espaço de discussão, debate e proposição de políticas públicas no estado. Existem ainda os Fóruns das regiões de Florianópolis, Vale do Itajaí, Planalto Norte e Meio Oeste, Norte Catarinense, da Região Serrana, do Oeste e do Extremo Oeste.
Na área de Energias Renováveis serão apresentadas soluções tecnológicas e possibilidades de implantação de equipamentos em residências e estabelecimentos comerciais. O Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo sendo que 46% da energia necessária ao desenvolvimento advêm de fontes renováveis. No restante do mundo, esse número é de apenas 13%. Essa situação coloca o Brasil em uma posição especial para o futuro das novas gerações, permitindo combinar o crescimento econômico, com proteção ambiental e o desenvolvimento social.
A mudança de Secretaria para Ministério da Pesca e Aquicultura, no dia 29 de junho de 2009, consolidou avanços importantes para toda a cadeia produtiva de pesca e aquicultura brasileiras. Agora, o país possui a nova Lei da Pesca e o Ministério tem mais autonomia, mais poder de decisão e mais recursos para investir em projetos e convênios que já trazem resultados animadores. Atualmente, o produtor participa, recebe cursos para desenvolver a profissão, usa produtos específicos para fazer a feira ficar melhor e mais convidativa ao cliente, cria peixes em cativeiro nas águas públicas, de represas e reservatórios, ganha fábricas de gelo e caminhões frigoríficos para conservar o pescado. A produção atual é de um milhão de toneladas de pescado por ano, mas vai crescer. O consumo de peixes dentro e fora do país será atendido. As águas são abundantes, o clima é favorável e as espécies são nobres. Diretrizes foram criadas para estimular toda a cadeia produtiva da pesca e aquicultura e a prioridade é a inclusão social, a sustentabilidade da produção e o combate ao falso pescador. Os desafios são ousados, por isso o plano Mais Pesca e Aquicultura pode gerar 5milhões de empregos até 2011, aumentar o consumo, a renda e a formalização dos pescadores.