Foto: Myra Gonçalves
Montagem foi adaptada da rua para o palco
Na chegada do Mês do Gaúcho, o folclore é relembrado com muita diversão nos palcos de 12 cidades do interior. É a sexta turnê do projeto Lâmpada Mágica AES Sul 2004, realizada pela Cida Assessoria de Eventos sob financiamento da Lei de Incentivo à Cultura do RS, com a encenação da lenda O Negrinho do Pastoreio da Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais.
O roteiro, sempre às 20h, inicia no dia 1º de setembro pelo Centro de Cultura e Eventos em Bom Princípio e termina no dia 23 pela Sociedade de Canto União em Estância Velha. Passa ainda por Venâncio Aires, Estrela, Arroio do Meio, Candelária, Cachoeira do Sul, Caçapava do Sul, São Sepé, Sapiranga, Ivoti e Dois Irmãos.
O Negrinho do Pastoreio é a única ou a mais autêntica lenda do folclore sul-riograndense que conta a vida de um Negrinho escravo sem mãe, que é culpado pela perda de uma corrida de cancha onde o seu senhor perde muito dinheiro. Seu patrão, como castigo, obriga-o a ficar trinta dias e noites cuidando de seus trinta cavalos e, para sua infelicidade, os animais fogem à noite. Quando o patrão fica sabendo do ocorrido, tortura o Negrinho no chicote, mas o menino, com a ajuda de sua madrinha Nossa Senhora, consegue achar os cavalos. Só que o filho do estancieiro, que adorava judiar do Negrinho, quando viu que ele voltava com a tropilha, só esperou ele dormir para espantar todos os cavalos.
O Negrinho apanha quase até a morte e é jogado num formigueiro. Então a peonada foi buscar os cavalos e não os achou. Diziam que sumiu como feitiço. O estancieiro descrente foi até o formigueiro e encontrou de pé e sorridente o cavalo baio e Nossa Senhora. Desde então, diz-se que quem perde algo deve acender uma vela para o Negrinho do Pastoreio, que se tornou bom procurador das coisas perdidas. E se ele não achar, ninguém mais...
Trata-se do terceiro espetáculo de rua da Trilogia Pampiana, trabalho de pesquisa da Oigalê no universo regional do gaúcho, unindo-se a Deus e o Diabo na Terra de Miséria e Mboitatá, a Verdadeira História da Cobra-de-Fogo dos Pampas, mas estruturado para acontecer em ambientes fechados nesta turnê. Apesar de ser uma tragédia, o texto de Simões Lopes Neto foi adaptado por Hamilton Leite e Paulo Gaiger para tornar-se uma grande brincadeira com técnicas do teatro de rua - pernas-de-pau, acrobacia e muita improvisação.
A história é contada por cinco atores (Cíntia Ceccarelli, Carlos Alexandre, Giancarlo Carlomagno, Luciano Fernandes e Vera Parenza), com músicas exclusivas (de Gustavo Finkler) e executadas ao vivo com acordeon, cavaquinho, flauta doce e lombo legüero. A indumentária (criada por Vera Parenza) segue a linha regionalista, com bombachas, saias, palas, guaiacas, chapéus e facões. A direção é de Sérgio Etchichury, com preparação vocal de Cristiano Hanssen e máscaras de Ricardo Vivian. São 45 minutos de movimentação. "Esta lenda, de cunho abolicionista, simboliza a opressão que muitos povos e raças são submetidos", sintetiza o grupo.
Neste sexto roteiro, o workshop gratuito é sobre Teatro de Rua - Espaço, Movimento e Ritmo, com técnicas de aquecimento vocal, elementos vivos do corpo, acrobacia, pernas-de-pau, malabarismo, bastões, bandeiras a partir da orientação de Hamilton Leite. Acontece entre 14h e 16h, com inscrições limitadas com os organizadores de cada cidade. Os ingressos populares entre R$ 3 e R$ 6 são reinvestidos na aquisição de livros gaúchos e realização de oficinas de teatro para portadores de necessidades especiais. O patrocínio é da AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia e apoio do Hotel Everest. Outras informações podem ser conferidas no www.cidadecultura.com.br. =http://www.h