Mais de cem pessoas, entre médicos, profissionais de saúde e representantes das indústrias farmacêuticas, compareceram ao III Fórum de Agentes Biológicos - Foco em Biossimilares, promovido nos dias 15 e 16 de julho pela Sociedade Brasileira de Reumatologia. O evento, realizado no Hotel Pestana, em São Paulo, reuniu especialistas nacionais e internacionais das áreas de saúde, biotecnologia e também de economia, representantes das indústrias produtoras dos biofármacos inovadores e biossimilares, além de gestores públicos e privados do setor de saúde.
O objetivo foi discutir aspectos que envolvem a provável chegada dos biossimilares ao mercado brasileiro que deverá acontecer a partir do próximo ano, com a extinção das patentes de alguns dos medicamentos biológicos de referência - e também trazer esclarecimentos à comunidade médica sobre esse novo tipo de tratamento. “Por ser um tema relativamente novo dentro da área médica, os profissionais de saúde ainda têm muitas dúvidas. Fizemos esse encontro como uma forma de contribuição para que os medicamentos biológicos inovadores e os biossimilares se tornem mais conhecidos entre os futuros envolvidos na chegada deles”, observa Geraldo Castelar, presidente de Sociedade Brasileira de Reumatologia. Segundo ele, é esperado o início da fabricação de alguns biossimilares para a área da Reumatologia e de outras especialidades que lidam com enfermidades autoimunes.
Destaques
O impacto econômico dos biossimilares foi discutido pelo economista Armando Castelar, da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), e pelo médico Denizar Vianna, especialista em Economia da Saúde da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Aspectos técnicos da produção desses novos medicamentos foram apresentados por participantes nacionais e internacionais, como o diretor técnico do Centro de Imunologia Molecular de Cuba, Ernesto Chico; o vice-presidente de um dos maiores fabricantes de biossimilares do mundo, o laboratório coreano Celltrion, Stanley Hong; o professor Gurkirpal Singh, da Universidade de Stanford; e a bióloga e professora da Disciplina de Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Neusa Pereira da Silva.
Foram apresentados também os pontos de vista de profissionais diretamente envolvidos com o advento dos biossimilares, como Orlando Silva, representante de assuntos regulatórios do laboratório Merck Serono Brasil; Odnir Finotti, presidente da Pró-Genéricos; e Valdair Pinto, consultor independente da indústria farmacêutica. Já a posição do Governo sobre o assunto foi debatida por Rodrigo Martins Bretas, especialista em Regulação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), e pela Gerente Geral da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Karla Santa Cruz Coelho.
Para o Dr. Geraldo Castelar, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, o resultado do Fórum foi um debate balanceado, em que se destacou a preocupação com a segurança e da eficácia dos biossimilares, assim como a regulamentação desses medicamentos, que hoje ainda é feita com base nas diretrizes internacionais propostas pelo EMEA (European Medicines Agency) e pela OMS (Organização Mundial de Saúde). “Muitos dos presentes nunca tinham ouvido falar do assunto e saíram mais esclarecidos. Entretanto, ainda há muita informação relevante a ser discutida, especialmente junto a gestores de saúde e as secretarias municipais e estaduais, personagens que serão importantes quando esses medicamentos passarem a ser fabricados no Brasil. Então, considero que a discussão sobre os biossimilares ainda não está esgotada”, finaliza.
Sobre a Sociedade Brasileira de Reumatologia
A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), fundada em 1949, é uma organização civil sem fins lucrativos, cuja finalidade é congregar médicos reumatologistas brasileiros, todos regularmente inscritos nos Conselhos Regionais de Medicina e regidos pela legislação vigente. Filiada à Associação Médica Brasileira, conta, atualmente, com mais de 1.500 associados, 23 sociedades regionais filiadas e 24 assessorias e comissões científicas, que atuam nas várias expressões dessa especialidade médica.
A entidade tem como propósito maior promover a qualidade de vida e a saúde da comunidade, contribuindo para a formulação de políticas públicas, bem como aprimorar os conhecimentos em reumatologia, estimulando os pesquisadores com prêmios, bolsas de estudo e financiamento de pesquisa. Com esta finalidade, desenvolve o projeto ProNuclear com a missão de fomentar núcleos de pesquisas em regiões carentes de educação pós-graduada em reumatologia. Conta também com o incentivo e a participação do Fundo de Auxílio à Pesquisa e Ensino em Reumatologia. Além disso, mantém duas publicações oficiais convencionais, sendo o Boletim e a Revista Brasileira de Reumatologia (RBR). Entre as conquistas mais recentes da entidade estão a criação da Câmara Técnica de Reumatologia, no Ministério da Saúde, em 2010, e a indexação da RBR na base de dados do MEDLINE. Mais informações, visite o site www.reumatologia.com.br