O Fórum Permanente de Empresas para a Inclusão Econômica da Pessoa com Deficiência dedicou a sua terceira plenária do ano, realizada na terça-feira, 9/10, ao tema da Qualificação Profissional. Considerado um dos principais entraves para a efetiva inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho que vai além do cumprimento da Lei Federal n° 8.213/91, conhecida como Lei de Cotas, mas pressupõe a equiparação de oportunidades de carreira dentro das empresas - a capacitação profissional começa a ser percebida como uma responsabilidade que precisa ser compartilhada entre o poder público, o setor privado e o terceiro setor.
Só com a união desses três segmentos da sociedade será possível enfrentar o desafio educacional e de formação para o trabalho das pessoas com deficiência, afirma Luiza Russo, presidente do Instituto Paradigma, responsável pela iniciativa de criação do Fórum e por sua atual coordenação técnica. Durante a plenária foi lançada a cartilha Qualificação Profissional de Pessoas com Deficiência, uma iniciativa do Fórum de Empresas, com apoio da PriceWaterhouseCoopers.
O texto oferece conteúdos e dados estatísticos sobre o cenário atual de empregabilidade das pessoas com deficiência no Brasil e em São Paulo e indica soluções. O Censo Escolar do MEC apontou, em 2005, que 1,77% dos alunos matriculados na rede pública eram pessoas com deficiência. Em 2004, o mesmo censo mostrou que havia no Brasil cerca de 5 mil estudantes universitários com deficiência, o que significa 0,12% do total de universitários matriculados em todas as universidades do país. Estes dados demonstram haver ainda um grande distanciamento entre o acesso à qualificação profissional e, consequentemente, à empregabilidade das pessoas com deficiência, informa a cartilha.
Neste cenário, onde muitos jovens e adultos não completaram nem seus estudos fundamentais, uma solução que vem sendo utilizada pelo governo e organizações não governamentais são os cursos de qualificação profissional com objetivos concretos de possibilitar o conhecimento e especialização em alguma ocupação; elevar e resgatar a escolaridade, e permitir o exercício dos valores democráticos e da cidadania. Os interessados poderão acessar todo o conteúdo da cartilha no site www.institutoparadigma.org.br já nas próximas semanas.
Participaram da plenária o coordenador da Secretaria de Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilmar Viana; o secretário do Trabalho do Município de São Paulo, Geraldo Vinholi, e a Delegada Regional do Trabalho (DRT/SP) Lucíola Rodrigues Jaime. O encerramento se deu com a apresentação de casos de sucesso do processo de inclusão no Banco Real - ABN AMRO e no escritório Tozzini Freire Advogados, além da Laramara Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual - que abordou o seu programa de qualificação profissional.
O Fórum Permanente de Empresas para a Inclusão Econômica de Pessoas com Deficiência foi criado em 2004 com o objetivo de firmar-se como um espaço permanente de trocas de experiências e aprendizagem a fim de favorecer as iniciativas de inclusão econômica e o cumprimento da Lei de Cotas (Lei Federal n 8.213/91). Desde 2006, o Fórum está sob coordenação executiva do Comitê de Responsabilidade Social (CORES) da FIESP. Integram a comissão executiva as empresas Editora Abril, HP do Brasil, Schering do Brasil, Serasa, PriceWaterhouseCoopers, Visanet, Telefônica, VIVO e CPFL Energia, com coordenação técnica do Instituto Paradigma.
Instituto Paradigma é uma OSCIP Organização da Sociedade Civil de Interesse Público que promove a inclusão social das pessoas com deficiência, construindo soluções e serviços para ampliar o exercício da cidadania.
CORES - Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Tem como missão difundir o conceito de Responsabilidade Social Empresarial como ferramenta de gestão para a competitividade, o crescimento<