Terminou na tarde dessa terça-feira, 13 de abril, no Equador, o XVII Fórum de Ministros de Cultura e Responsáveis de Políticas Culturais da América Latina e Caribe.
Depois de dois dias reunidos, os ministros assinaram a Declaração de Quito, em que firmam compromissos para a realização de políticas comuns de formação cultural, de democratização do acesso à cultura, de proteção internacional dos conhecimentos e expressões tradicionais e de livre circulação cultural entre os países do bloco.
Também foram aprovadas políticas específicas para o atendimento e integração de jovens latino-americanos, assim como ações de difusão das expressões culturais nos meios de comunicação.
Entre as decisões firmadas pelos ministros estão:
Leia a íntegra da Declaração de Quito (versão em espanhol).
Coletiva à Imprensa
“Construímos uma plataforma de cooperação que vai desde a capacitação de artistas, técnicos e gestores culturais até a garantia da liberdade de expressão entre os países da região”, afirmou o ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, em entrevista coletiva à imprensa realizada durante o Fórum.
“Vivemos os mesmos problemas, frutos do empreendimento colonial europeu que tivemos, com suas variações históricas e linguísticas, mas agora estamos em um momento de afirmação da democracia em toda a região e este fórum torna-se um marco nesse processo e no fortalecimento de nossa integração cultural.”
Conhecimentos e Expressões Tradicionais
Como um tema caro e estratégico a todos países latino-americanos, a Proteção dos Conhecimentos e Expressões Culturais Tradicionais foi incluída na pauta do Fórum pelo governo brasileiro. Atualmente, existe um comitê especializado sobre o tema na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), e o Ministério da Cultura do Brasil propôs o apoio a essas discussões por acreditar que é fundamental que se chegue a algum tipo de proteção internacional de tais ativos. Essa medida poderia vir a beneficiar, principalmente, países em desenvolvimento e menos desenvolvidos e, dentro deles, suas populações tradicionais, que normalmente possuem grandes carências econômicas e sociais - embora detenham um rico patrimônio cultural.
“Hoje os conhecimentos tradicionais não são reconhecidos e nos propusemos a apoiar todo o processo de revisão internacional para garantir os direitos das comunidades detentoras de saber, seja de sua cultura, seja de sua biodiversidade”, declarou o ministro Juca Ferreira.
“Na amazônia, é freqüente a contratação de antropólogos pagos por grandes empresas de biotecnologia, para terem acesso a esses conhecimentos das populações tradicionais e fazerem disso um processo indevido de patenteamento internacional”, explicou.
“Vamos trabalhar para que essa revisão possibilite de fato um acesso ao conhecimento de forma mais justa que premie e pague as comunidades detentoras desses saberes. O direito autoral é a base da economia da cultura, sem direito autoral regulamentado não existe possibilidade de se desenvolver a economia da cultura”, concluiu Ferreira.
Agenda em Quito - O ministro Juca Ferreira termina sua missão oficial no Equador nesta quarta-feira, dia 14, quando participa da 1ª Reunião de Ministros do Conselho Sul-Americano de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Inovação da União de Nações Sul-Americanas. Criada em 1969, a Unasul reúne, atualmente, 12 países - Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela - para tratar de políticas transversais do bloco. Integram a comitiva do ministro da Cultura brasileiro o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, e o diretor de Relações Internacionais do MinC, Marcelo Dantas.
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(Nanan Catalão, Comunicação Social/MinC)