O secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, José Luiz Herencia, participou na última quinta-feira, 24 de setembro, do Fórum Latino-Americano para a Identidade e a Integração, em Buenos Aires, na Argentina.
Em seu discurso, afirmou que “a cultura pode desempenhar um papel fundamental neste momento em que a crise econômica mundial, ainda que relativamente contornada, continua a nos oferecer uma excelente oportunidade de revisão de modelos e prioridades”. Falou também na possibilidade de se rever o modelo de integração e de cooperação atual. Destacando os ‘países parceiros e irmãos do Mercosul’, apontou a necessidade de conjugar a integração política e econômica no continente à promoção da diversidade cultural.
O representante do MinC enfatizou a constatação de que o campo cultural, além de sua dimensão simbólica, mostra pujança econômica, gera ocupação, emprego e renda e tem potencial para contribuir para a constituição de um novo modelo de desenvolvimento e de exercício da cidadania.
Herencia explicou a opção do MinC, nas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira, de reconhecer o papel do Estado nas políticas da área e enfrentar a exclusão cultural, desconcentrando os investimentos e democratizando o acesso aos recursos. Ele citou o aumento orçamentário, o avanço do Plano Nacional de Cultura no Congresso Nacional, o desenvolvimento do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC) e a reforma do modelo de financiamento. Ressaltou que tanto o Plano como a proposta da nova lei de incentivo preveem uma intensificação das ações no âmbito do Mercosul. ()
Diversidade Cultural Brasileira
O professor Laymert Garcia dos Santos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ministrou palestra sobre a Diversidade Cultural Brasileira. “Falei sobre a oportunidade única que temos, de construir um caminho de autonomia relativa no contexto geopolítico global”, relata, lembrando o crescente peso econômico dos países ditos emergentes. “Temos - sobretudo o Brasil - um papel novo a exercer, e nossa diversidade nos dá uma potência cultural muito grande, apesar de sermos um povo sem acesso a bens culturais. Se puder exercer essa potência, o país entra com destaque na cena internacional.”
Para o docente, tanto os argentinos como os brasileiros começam a reconhecer que sempre mantiveram o olhar muito voltado aos Estados Unidos e à Europa e aumentam a atenção para aquilo que têm em comum e que os diferencia de outras nações, considerando tanto as manifestações mais tradicionais como as contemporâneas, e as ligações entre elas.
Estavam presentes integrantes do corpo diplomático argentino, professores, universitários, intelectuais, artistas e produtores. O Ministério de Relações Exteriores do país vizinho foi representado pelo embaixador Rodolfo Ojea Quintana, secretário de Coordenação e Cooperação Internacional. Para o encerramento do encontro, o Quarteto de Belén Pérez Muñiz apresentou o espetáculo Clássicos de Bossa-Nova e Música Popular Brasileira.
O Fórum Latino-Americano para a Identidade e a Integração tem como objetivo despertar a consciência de ser nacional e regional, em toda sua dimensão histórico-social, como parte de uma comunidade maior, América Latina. Para isso, em cada reunião um país, na condição de expositor, apresenta sua realidade e suas políticas.
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(Pedro Biondi, SPC/MinC)