Os oito principais bancos privados do País atualmente empregam cerca de 10 mil pessoas com algum tipo de deficiência física e mais da metade dos funcionários do setor já é formada por mulheres
Ampliar a prática da diversidade é um dos objetivos do setor bancário, que nos últimos anos vem implementando programas de inclusão que já asseguraram a contratação de pessoas portadoras de deficiência, negros e mulheres. Os oito principais bancos privados do País atualmente empregam cerca de 10 mil pessoas com algum tipo de deficiência física e mais da metade dos funcionários do setor já é formada por mulheres. “Os bancos estão engajados no esforço em prol da diversidade. Primeiro porque esta é a coisa certa a fazer do ponto de vista ético. Segundo, porque isto é parte dos valores corporativos e da cidadania e responsabilidade social do setor. Terceiro, porque esperam que estas iniciativas assegurem benefícios práticos para as organizações”, disse Murilo Portugal, presidente da Federação Brasileira dos Bancos FEBRABAN, na abertura do 1° Fórum FEBRABAN de Diversidade, realizado nesta segunda-feira (27).
O encontro, que compõe uma das ações do “Programa Valorização da Diversidade” da FEBRABAN, não se restringiu às iniciativas do setor bancário. Mostrou a visão de representantes de organismos internacionais e relatou experiências de empresas de outros setores, com os avanços conquistados e os desafios a enfrentar. Para Marcia Vasconcelos, coordenadora do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero e Raça no Mundo do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho OIT, a diversidade é um valor que ganha impulso nas empresas como forma de alinhar seus processos de gestão de recursos humanos com a noção de igualdade de oportunidades e a ideia de que em um ambiente propício à diversidade, os talentos e habilidades das pessoas se desenvolvem melhor.
Mário Theodoro Lisboa, secretário executivo da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República SEPPIR/PR, destacou o papel do Estado na prática da diversidade. “Ele é fundamental na determinação de políticas que não diferenciem negros e brancos.”
Os desafios
Marcia Vasconcelos, da OIT, defendeu a necessidade de compartilhamento das responsabilidades que estão hoje apenas na mão da mulher, com a família, o Estado e o mercado. Implementar medidas com esse propósito significa reorganizar os sistemas e processos de trabalho, que levarão a um ambiente mais saudável e irão se refletir no aumento do compromisso, da lealdade, da produtividade e da inovação das pessoas e companhias.
Entre as experiências da prática da Conciliação, Eliana relatou o caso da Companhia de Seguros Equatorianos Suiza, que aumentou em 240% sua produtividade no período de 2000 a 208, com a adoção de horário flexível de trabalho para atender problemas familiares e com investimentos em tecnologia que permitiu a implementação do teletrabalho (trabalho em casa), em 2004.
Rebeca Reichmann Tavares, representante da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, afirmou, que o Brasil já avançou bastante na redução das desigualdades, mas que muito mais poderia ser feito aproveitando-se oportunidades que estão por vir. “As empresas do setor financeiro poderiam conceder linhas de crédito especiais para mulheres empreendedoras, que são aproximadamente 10 milhões de pessoas”, afirma. Além disso, observa, o Brasil vai viver grandes eventos importantes, como a Copa e as Olimpíadas, que darão oportunidades para que essas empreendedoras contribuam com diversos setores da economia. “Igualdade significa negócio. Aumenta a produtividade e gera lucros para a nação”, conclui.
Experiências Bancos
Uma das iniciativas da FEBRABAN e dos bancos é o Programa de Capacitação e Inclusão de Pessoas com Deficiência. Este programa nasceu da constatação de que a baixa escolaridade e qualificação profissional das pessoas com deficiência física impedia seu acesso à força de trabalho dos bancos. Para superar esta dificuldade, o programa promove o treinamento de pessoas com deficiência que se candidatam via Internet para trabalhar nos bancos. O projeto já contribuiu para que os oito maiores bancos privados do País tenham alcançado 74% da cota de contratação de pessoas com deficiência estabelecidas pelo governo, enquanto a média nacional é de 52%.
No ano passado, a FEBRABAN fez parcerias com diversas secretarias de governo. O protocolo de intenções com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, por exemplo, pretende buscar alternativas para a ampliação das fontes de recrutamento e a maior contratação de negros na força de trabalho bancária. A FEBRABAN, em conjunto com a Secretaria, disponibilizará site com possibilidade de inscrição de candidatos oriundos de universidades com programas de incentivos raciais.
Com a Secretaria de Promoção da Mulher, a proposta é elaborar um programa de trabalho voltado para contratação, qualificação e promoção das mulheres. Já a parceria com o MEC prevê o comprometimento de 10% das vagas de estágio nos bancos para estudantes do ProUni. Para o primeiro ano de vigência do acordo, estima-se em 600 o número de jovens que poderão obter estágio nas instituições.
Com o Programa Jovem Aprendiz no Setor Bancário, os bancos oferecem aos jovens a possibilidade de um aprendizado prático e teórico, complementando o estudo básico e, com isso procurando ajudar essas pessoas a ampliar perspectivas de vida pessoal e profissional. Na primeira fase do convênio, cerca de mil e oitocentas vagas foram abertas, e com o novo termo de adesão assinado recentemente, mais de 4 mil vagas, que devem ser renovadas a cada dois anos. O Programa Jovem Aprendiz no Setor Bancário elevou de 5% para 7% o percentual de jovens aprendizes serem qualificados para as funções previstas pelo programa.
Experiência - Fersol
Eliana Francisco, responsável pela área de responsabilidade social da Fersol Indústria e Comércio S/A, especializada na industrialização e comercialização de produtos químicos, afirmou que a contratação de pessoas de segmentos historicamente excluídos é uma prioridade na empresa. “Quando contratamos alguma agência de RH, deixamos muito claro nossos objetivos e utilizamos diversos canais para divulgá-los”, salientou. Dos 350 funcionários, 30% se autodeclaram afrodescendentes, 55% são mulheres, 25% estão acima dos 40 anos, 3% se dizem homoafetivos e 2% têm algum tipo de deficiência. A partir da constatação desse perfil dos funcionários, conta Eliana, a empresa estabeleceu uma meta: ter 60% do quadro composto por mulheres e 40% por afrodescendentes, inclusive ampliando a atuação de afrodescendentes nos cargos gerenciais da empresa. A Fersol promove a capacitação, dando cursos e palestras. “A diversidade deve ser incluída na equipe de trabalho. Temos de ter diferentes grupos de pessoas que compartilhem dos valores da empresa”, conclui.