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Fórum Social das Américas tem participação de brasileiros do governo e da sociedade civil

Publicado em 28.07.2004 por Agência Brasil

Christiane Melo

Repórter da Agência Brasil*


Brasília - Desde o último dia 25, a capital do Equador, Quito, é sede do primeiro Fórum Social das Américas (FSA). O evento visa debater novas propostas em torno da América para serem levadas ao Fórum Social Mundial (FSM) em janeiro de 2005, em Porto Alegre.

O Brasil marcou presença no evento com representantes das organizações não-governamentais (ONGs), como a Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais (Abong), o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), e a Comissão de Justiça e Paz. Na segunda-feira, o assessor especial da Presidência da República, Frei Betto, participou da conferência "Comunicação, Cultura e Contra-hegemonia".

"Quando nós falamos e escrevemos, devemos ter a capacidade de utilizar uma linguagem que não seja rebuscada, que possa levar conhecimento a todos e que seja compreendida por todas as pessoas que escutam o rádio e lêem revista ou jornal", disse na ocasião. "Nossa comunicação deveria democratizar-se no sentido de fazer com que as pessoas não só recebam a notícia, mas que as ajude a interpretá-las e entender seu significado dentro da história".

O assessor especial da Presidência da República destacou ainda em entrevista concedida a jornalistas que o Brasil precisa criar uma consciência de cidadania para aprimorá-la. "Nós temos que criar no Brasil, e isso o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está fazendo, uma consciência e atitude de cidadania como condição de aprimorar a cidadania". Além de Betto, o evento conta com a participação de outro representante do governo brasileiro, o assessor Silvio Santos, da Secretaria Geral da Presidência da República.

Já em um debate sobre democracia e globalização, ontem, a coordenadora de Participação e Desenvolvimento Local Sustentável do Ibase, Moema Miranda, disse que o avanço da globalização neoliberal teve impacto na redução da qualidade da democracia. "A democracia que a gente vive hoje na América Latina não dá conta de ampliar ou radicalizar no sentido pleno. É preciso criar novos sentidos para democracia, que recuperem ou construam a possibilidade da inserção da totalidade da população em modos de vida mais dignos, o que significa um enfrentamento radical ao capitalismo".

Esses e outros temas serão discutidos no Fórum Social das Américas até sexta-feira, dia 30. Conferências, painéis, testemunhos, mesas de diálogo são algumas das atividades propostas para os debates relevantes à sociedade civil. O FSA engloba setores do movimento social (indígenas, mulheres, sindicalistas, jovens, GLBT), igrejas, meios de comunicação, centros de estudos etc.

Confira os cinco eixos temáticos propostos pelo FSA:

Eixo 1 A ordem econômica: empobrecimento humano e ambiental, dívidas, corrupção, mercado comum; espaço público e direitos econômicos; economia reprodutiva. Resistências, visões de futuro e construção de alternativas.

Eixo 2 A face violenta do projeto neoliberal: hegemonia imperial, militarismo, controle estratégico da biodiversidade, violência de discriminação depreciativa em relação a um sexo em detrimento a outro. As resistências e o surgimento de novos temas.

Eixo 3 Poder, democracia e Estado: mudanças, permanências e visões de futuro.

Eixo 4 Culturas e comunicação: as resistências, a memória, a construção de identidades; espaços e práticas de criação; linguagens críticas e alternativas; democratização da comunicação.

Eixo 5 Povos indígenas e de ascendência africana: territórios; autonomia; diversidade e

pluriculturalidade; conhecimentos e propriedade intelectual.

*Com informações das agências Pulsar e Adital

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