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Fórum Social: índios protestam contra o governo em manifesto

Publicado em 28.01.2005 por Agência Brasil

André Deak

Repórter da Agência Brasil


Porto Alegre Nações indígenas representadas pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), pelo Conselho Indígena de Roraima e pela Associação dos Povos Indígenas do Nordeste e Minas Gerais (Apoinme) apresentaram à imprensa hoje um manifesto contra o governo brasileiro no Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre.

O documento, distribuído em uma coletiva de imprensa na Usina do Gasômetro onde está montada toda a estrutura para jornalistas credenciados afirma que os indígenas estão "cansados de enviar documentos e bater nas portas dos gabinetes governamentais sem que haja respostas para a solução dos graves problemas" por eles enfrentados. Segundo o texto, apenas 11 terras indígenas teriam tido seus limites declarados nos últimos dois anos. "Uma média pior ainda do que o governo Fernando Henrique, que foi medíocre", diz o antropólogo do Ministério Público Federal Marco Paulo Fróes Schettino.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), de um total de 841 terras indígenas conhecidas, apenas 311 foram registradas (36,98%) até hoje. O registro é o último estágio do processo para regularizar definitivamente uma área indígena e, antes, ela deve ser reservada, ficar em processo de identificação, ser identificada, declarada e homologada para, finalmente, ser registrada. Apenas 58 áreas estão homologadas atualmente.

Anastácio Peralta, liderança indígena Guarani-Kaiowá, que esteve no lançamento do manifesto, disse que "um povo não se mata apenas à bala: você tira sua terra, sua religião, sua cultura e sua identidade. Esse é o genocídio que acontece hoje".

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