Começa nesta quinta-feira, 27 de novembro, em Belo Horizonte, o 12º Festival do Filme Documentário e Etnográfico. Com 78 títulos nacionais e internacionais, o forumdoc.bh.2008 será realizado até 7 de dezembro, no Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes. O já tradicional evento audiovisual conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, recursos do Fundo Nacional da Cultura e patrocínio da Petrobras para a sua realização.
Nesta edição, os destaques da programação serão a Retrospectiva Carlos Prates, que exibirá pela primeira vez todas as obras do diretor restauradas e digitalizadas; a Mostra Melanésia, com filmes dos australianos Chris Owen, Bob Connoly e Martin Maden; e a Mostra Latinoamérica, com obras precursoras do filme documentário latino-americano e de realizadores contemporâneos. Toda as exibições são gratuitas.
Na abertura do Festival, será exibido Crioulo Doido (1971), o primeiro longa-metragem de Carlos Alberto Prates Correia, mineiro de Montes Claros, que agora prefere ser chamado de Carlos Prates, porque, segundo ele, “gasta menos tinta e é nome de bairro em Belo Horizonte”. Com Jorge Coutinho e Selma Caronezzi nos papéis principais, o filme foi restaurado e digitalizado recentemente, sob coordenação do próprio Carlos Prates. A exibição marcará a estréia da nova versão de 63 minutos dessa obra-prima do cinema mineiro, que na versão antiga tinha 80 minutos de duração.
Também serão exibidos, do mesmo autor, os curtas-metragens O Milagre de Lourdes (1965) e Bem atrás da câmera (1978), além dos longas Perdida (1978), Cabaret Mineiro (1980), Noites do Sertão (1984) e Minas Texas (1989). Completa a programação da Retrospectiva Carlos Prates, o semidocumentário Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais, que teve lançamento nacional neste ano. Quase todos os filmes foram digitalizados, com exceção da primeira obra do cineasta, O Milagre de Lourdes, que foi restaurada pelo CRAV-MG e será exibida em 35 mm.
A Mostra Melanésia exibirá 20 filmes, realizados na Papua-Nova Guiné, quase todos durante o período pós-colonial (pós-1975), quando a porção oriental da ilha na Oceania tornou-se uma nação independente. Um dos pontos altos será a apresentação da famosa Trilogia das Terras Altas da Papua-Nova Guiné, dos cineastas australianos Bob Connolly e Robin Anderson, respectivamente: First Contact (1983), Joe Leahy’s Neighbors (1989) e Black Harvest (1992), filmes realizados durante uma década e premiados em inúmeros festivais de cinema pelo mundo, incluindo uma indicação ao Oscar americano.
O público terá a oportunidade de discutir os filmes exibidos na Mostra durante uma mesa-redonda, com a presença de Martin Maden, um dos primeiros realizadores papuásios, do etnólogo inglês David Rodgers e do antropólogo e professor da USP Renato Sztutman. O tema principal será a relação entre cinema e ritual naquele país.
Na Mostra Latinoamérica serão exibidos filmes fundadores do documentário no continente, realizados pela primeira escola de cinema latino-americano, a Escola Documental de Santa Fé, criada por Fernando Birri na Argentina em 1956. Tire Dié é a primeira realização dessa escola, um documentário em curta-metragem dirigido por Birri, junto com seus alunos, que trata sobre as condições insalubres de vida nas imediações de Santa Fé. Também haverá exibições de produções de Carlos Reygadas, Tomás Gutierrez Alea, Paz Encina, Victor Gaviria, Luis Ospina, Sara Gomez, Paula Gaitán, Jorge Sanjinez e outros diretores. No dia 2 de dezembro, Luis Ospina, José Carlos Avellar e Bruno Vasconcelos participam de uma mesa-redonda sobre o cinema latino-americano.
Completam a programação do forumdoc.bh.2008, a Mostra Competitiva Nacional, com 11 filmes selecionados, e a Mostra Competitiva Internacional, com dez filmes selecionados. E, ainda, Sessão Cine-Homenagem, que traz obras de Dina e Claude Lévi-Strauss celebrando os cem anos de nascimento do antropólogo francês; Sessão Especial, com títulos de importantes realizadores como Benzedeiras de Minas, de Andrea Tonacci, O Tigre e a Gazela, de Aloysio Raulino, Deixa Que Eu Falo, de Eduardo Escorel, e Acácio, de Marília Rocha; sessão com as produções realizadas por integrantes da Associação Filmes de Quintal; e sessão de encerramento com o filme História do Brasil (1974), de Glauber Rocha.
Haverá também sessões de lançamentos da caixa de DVDs Cineastas Indígenas, produzida pela ONG Vídeo nas Aldeias; da revista Devires vol. 5, nº1 - Dossiê Pedro Costa; e do livro Ver e poder, de Jean-Louis Comolli, pela editora Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); além da Mostra Fotográfica Acácio Videira nas vitrines do Cine Humberto Mauro.
Confira a programação completa: .
Mais informações: (31) 3889-1997, na Associação Filmes de Quintal.
(Frederico Sabino, Ascom RRMG/MinC)